segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

MÍDIA GOLPISTA AINDA INSISTE EM DEPRECIAR A MULHER BRASILEIRA


NO EXTERIOR, A MÍDIA VALORIZA AS MULHERES INTELIGENTES, COMO EMMA WATSON. JÁ NO BRASIL...

Por Alexandre Figueiredo

O espetáculo das popozudas continua. Solange Gomes, Dani Sperle, Larissa Riquelme, Valesca Popozuda, Lucilene Caetano, entre outras, insistindo em se impor como "modelo de mulher moderna" através das exposições persistentes dentro da mídia golpista.

É claro, houve alguns que cometeram o asneirol de dizer que tais mulheres são "feministas" porque não vivem sob a sombra de um marido, noivo, namorado ou mesmo o pretendente em relações-relâmpago.

Pura insensatez. Feminismo não é isso. Além do mais, essas mulheres servem completamente os valores machistas, como se "machos selvagens" estivessem ocultos por trás da exposição "solitária" delas, sobretudo no portal Ego.

Sim, elas vivem sob a sombra dos homens. Com toda certeza. Mas, se não é da forma marital, é da forma ideológica, da sustentação do entretenimento machista que manipula os instintos sexuais, sobretudo dos homens pobres.

Enquanto a mídia grande, cada vez mais retrógrada, insiste em vender Solange Gomes, Nana Gouveia, Valesca Popozuda e companhia como se grande coisa fossem, no exterior quem se destaca são as musas teen que a cada vez mais mostram dar um banho de inteligência e talento.

Imagine se uma Dakota Fanning ou Emma Watson, uma a atriz mirim que se destacou em filmes como Uptown Girls, outra a diva que estava por trás da atriz de Harry Potter, chegando ao Brasil. As duas dariam um banho em muita popozuda que só sabe mostrar o corpo "turbinado" nas praias, boates e ensaios de escolas de samba.

As popozudas são um tipo tão decadente de mulher que as notícias mais comuns sobre elas, fora a exibição gratuita e repetitiva de seus corpos, são suas explosões temperamentais, sobretudo quando são preteridas em ensaios de escolas de samba, ou nas gafes que cometem, seja quando dizem que odeiam ler livros, seja quando, aos 35 anos, se comportam como popozudas iniciantes de 17 anos.

Pois Dakota Fanning não tem ainda 18 anos, mas apenas 16, e Emma Watson tem 20 anos. Mas ambas já se destacam pela inteligência, pelas ótimas entrevistas, pela desenvoltura, pelo charme, pela postura discreta e o mais prudente possível na exposição da mídia.

É claro que existem musas inteligentes, batalhadoras, charmosas no Brasil. E que existem todos os tipos de mulheres batalhadoras e inteligentes, independente delas se destacarem pela beleza física ou não. E não são poucas nem menos influentes na sociedade.

Mas o grande problema é que a ênfase da grande mídia, na hora de mostar as mulheres solteiras, é sempre nas popozudas, sejam as mulheres-frutas, as ex-BBB's, as calipígias em geral, muitas delas vindas do nada (tipo Lucilene Caetano), que, em outros tempos, partiam para o ostracismo depois de alguns anos mostrando seus glúteos avantajados para a mídia.

A impressão que se dá é que a velha mídia golpista quer minimizar os efeitos da mobilização feminista, evitando assim que as melhorias sociais se ampliem para acima dos limites tolerados pelos detentores do poder, que se baseiam sempre em valores sócio-morais retrógrados para manter seus privilégios.

Por isso, a velha mídia quer insistir no universo vazio das calipígias. Porque a mídia golpista, reacionária, porca, quer manter os valores retrógrados que envolvem machismo, neoliberalismo, a dicotomia pornografia-religiosidade que os conservadores tanto adoram, e isso significa evitar que as popozudas de hoje caiam no ostracismo.

Até musas mais substanciais que apareciam nas capas de O Cruzeiro partiram para o ostracismo. Mas as "preparadas" de hoje acham que só vão parar quando ficarem velhas e morrerem.

É uma manobra, ao mesmo tempo sutil e desesperada, da velha grande mídia explorar a emancipação feminina dentro dos limites ideológicos conservadores.

Através dessa manipulação, a grande mídia trata a mulher solteira como sendo uma "vadia", que só exibe o corpo gratuitamente, mas não sabe dar entrevistas, odeia ler livros e comete gafes ou até atitudes constrangedoras (como posar de "enfermeira" ou "freira sexy", esculhambando com as enfermeiras e freiras que lutam por um pouco de dignidade no nosso país). Pode até cursar faculdade e tudo, desde que seja uma dançarina de pagode, uma BBB bitolada ou uma calipígia ingênua e "meia (sic) narcisista".

A grande mídia quer de toda a forma manter o machismo. Se a mulher que se destaca na sociedade é inteligente, sóbria e discreta, ela terá que ter um marido ou namorado. Dane-se a falta de afinidade, as diferenças irreconciliáveis, que tanto motivam os divórcios na alta sociedade do Primeiro Mundo, aqui só servem para amarrar os casais não-afins.

Tudo para manter o deleite das plateias burguesas brasileiras, tão provincianas, tão carentes do narcisismo local, vendo moças jornalistas "carregando casamento" com empresários sisudos que, profissionalmente, são sinônimo de sucesso, mas no lazer, são uns molengas que usam os mesmos sapatos de verniz, cujo brilho da graxa compensa a falta de brilho desses verdadeiros autômatos sociais.

Ou seja, se a mulher quer romper com o machismo, terá que ter a tutela de um homem. Por outro lado, se a mulher que manter-se escrava dos valores machistas, está dispensada de ter até mesmo um namorado. Ou está liberada até para namorar o Justin Bieber, se ele quiser (ele não quer).

Daí o grande contraste que temos entre o Primeiro Mundo e o Brasil. Nos EUA e Europa, as popozudas tornam-se tão decadentes que os portais dedicados a celebridades dão a elas apelidos como hasbeen e sluts (respectivamente, "decadentes" e "vadias"). Só no Brasil mesmo para moças assim ainda continuarem "em alta", "roubando cena" nos ensaios de escola de samba ou em outros eventos.

O caráter reacionário desse universo de "musas" de corpos siliconados é tal que eu, num outro blog, O Kylocyclo, fiz críticas a Solange Gomes e, em troca, recebi uma mensagem furiosa de uma tal de "marcia", que deu um recado pró-machista cheio de ameaças, numa reação típica de alguém que tenha saído dos umbrais do PSDB atual. Se essa pessoa for realmente uma mulher, mais parecia um "José Serra de saias", e não existe coisa mais ridícula e lamentável que uma mulher defendendo valores machistas.

O que mostra o quanto esse espetáculo de mulheres que só se valorizam pelo corpo nada tem a ver com valores avançados ou modernos, e sim com valores retrógrados. É um entretenimento que, no sentido medieval dado à ideia de festas profanas, apenas promove uma pausa momentânea ao moralismo rigoroso, para o bem da liberação dos instintos animalescos que, na visão do poder conservador, é necessária para evitar o agravamento das tensões e prevenir possíveis rebeliões.

É através dessa "psicologia" que a mídia golpista, machista e retrógrada, mantém o espetáculo das calipígias, popozudas, "cachorras", "tchutchucas" etc, a pretexto da "saudável alegria" do "entretenimento popular". Doces palavras que escondem o perverso mecanismo de controle social através da supervalorização do sexo vulgar.

Esse espetáculo irá continuar até que a bruxinha Hermione lance seus feitiços em terras brasileiras. Aí não há "cachorra" que continuará latindo e mordendo em paz.

Um comentário:

  1. Será que, no Brasil do começo dos anos 90 (antes de Carla Perez aparecer na mídia como se fosse uma "nova Leila Diniz"), as únicas "boazudas" eram as apresentadoras louras dos programas infantis?

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