quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

MAIS DECLARAÇÕES PARA O BREGA-POPULARESCO



Sabemos que o brega-popularesco é a "cultura de massa" brasileira, que envolve mídia populista, televisão popularesca, Música de Cabresto Brasileira e todo um ideário de domesticação do povo pobre, transformando-o numa massa ao mesmo tempo conformista e ingênua, como manobra do mercado midiático de entretenimento. Só a intelectualidade etnocêntrica é que não quer enxergar essa realidade, achando que isso é "a verdadeira cultura das periferias".

Pois mais uma vez, lendo o livro de Antônio Augusto Arantes, O Que é Cultura Popular (São Paulo: Brasiliense, 1981), ele descreve o processo de homogeneização da cultura organizado pelas classes dominantes através dos meios de comunicação (indústria cultural), e que, na perspectiva do "jeitinho brasileiro" atual, tem o rótulo cínico de "diversidade cultural".

Sem alongar muito nesses comentários, não há a menor diferença entre o "sertanejo" Daniel, o "sambista" Alexandre Pires, a "diva" Ivete Sangalo, os também "sertanejos" Zezé Di Camargo & Luciano e Chitãozinho & Xororó, o também "sambista" Exaltasamba, o "forrozeiro" Calcinha Preta. Todos fazem música brega travestida de ritmos "regionais". Como não há diferença entre É O Tchan, Parangolé, Saia Rodada, Aviões do Forró, Gaiola das Popozudas. São tudo a mesma mesmice cafona, apenas em matizes "diferentes".

Pois Antônio Augusto Arantes, antropólogo da UNICAMP e ex-presidente do IPHAN, citou um estudo de Eunice Durham sobre esse processo de homogeneização cultural que cabe conhecermos e que serve de recado para quem ainda vê grande coisa no brega-popularesco:

"Na Medida que a cultura de massa constitui uma tendência homogeneizadora que se sobrepõe às diferenças reais, fundadas numa distribuição desigual do trabalho, da riqueza e do poder e se processa, portanto, no nível exclusivamente simbólico, todo o problema da dinâmica cultural se projeta na esfera das ideologias e tem de levar em consideração o seu significado político". (Durham, citada por ARANTES: 1981).

Em outras palavras, Eunice propôs que o problema seja discutido, e não visto de forma deslumbrada conforme vemos em textos de Hermano Vianna, Pedro Alexandre Sanches e muitos outros. Arantes comenta o texto de Eunice Durhamda seguinte forma:

Refletindo sobre a nossa sociedade, sobressaem a esse respeito, de imediato, a indústria cultural e as políticas culturais oficiais. Realmente, através desses e outros mecanismos socialmente bastante arraigados embora imediatamente pouco visíveis (...), padrões cognitivos, estéticos e éticos, produzidos por especialistas e do interesse das classes dominantes, são difundidos por toda a sociedade.

Através desses mecanismos, procura-se criar a "ilusão" de homogeneidade (mas dentro do discurso de "diversidade cultural" - nota de A. F.) sobre um corpo social que, na
realidade, é diferenciado.


Ou seja, o brega-popularesco nada tem a ver com a diversidade cultural que tanto é associada a ele, porque isso é desculpa para os "sucessos do povão" serem jogados nas mesmas prateleiras do mestre da MPB, nos mesmos palcos, nos mesmos salões, nos mesmos cenários de apreciação e expressão.

Mas nada que possa dar grande valor a esses sucessos, que, essencialmente, não possuem valor artístico-cultural algum. É tão somente para manter o mercado faturando para além dos modismos de temporada.

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