domingo, 5 de dezembro de 2010

LULA AFAGA AMORIM EM PROVÁVEL DESPEDIDA DO ITAMARATY



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A atuação prudente do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, periga não se repetir no seu sucessor. Entre Celso Amorim e Nelson Jobim, teria sido melhor que este último estivesse para sair do Governo Federal, e não o outro.

Lula afaga Amorim em provável despedida do Itamaraty

Ao participar da 3ª Conferência de Brasileiros no Mundo, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um afago público ao atual ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ao afirmar que ambos conseguiram realizar praticamente tudo o que planejaram em termos de política internacional no início do governo. Lula também brincou com Amorim ao chamá-lo de “ministro sainte” e ao dizer que “quem está se afogando precisa gritar”, afirmação que soou aos ouvidos de muitos diplomatas presentes como um gesto de apoio a Amorim, cuja permanência no cargo é defendida por setores do governo e do PT.

Maurício Thuswohl - Agência Carta Maior

Em meio à indefinição quanto ao nome do próximo ministro das Relações Exteriores (MRE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez na sexta-feira (3), durante um evento no Palácio do Itamaraty, um afago público ao atual ministro Celso Amorim ao afirmar que ambos conseguiram realizar praticamente tudo o que planejaram em termos de política internacional no início do governo. O presidente, que participou da 3ª Conferência Brasileiros no Mundo, também brincou com Amorim ao chamá-lo de “ministro sainte” e ao dizer que “quem está se afogando precisa gritar”. Esta última afirmação soou aos ouvidos de muitos diplomatas presentes como um gesto de apoio a Amorim, cuja permanência no cargo é defendida por setores do governo e do PT.

Apesar do afago presidencial, ontem era dada como certa nos corredores do Itamaraty a nomeação pela presidente eleita, Dilma Rousseff, do atual secretário-geral Antônio Patriota como novo ministro das Relações Exteriores. Durante a conferência, diversos diplomatas foram cumprimentar Patriota pela escolha, apesar de o próprio não ter confirmado o convite. Em seu discurso, o ministro da Previdência Social, Carlos Gabas, chegou a saudar Patriota como novo ministro: “Tenho certeza de que, assim como a presidente Dilma é a pessoa ideal para dar continuidade ao bom trabalho iniciado pelo presidente Lula, o embaixador Patriota é a melhor pessoa para dar continuidade ao belíssimo trabalho do ministro Celso Amorim à frente do Itamaraty”, disse.

Antes mesmo de começar seu discurso, logo depois da fala de Amorim, o presidente dirigiu-se em tom bem-humorado à platéia formada por diplomatas e por cidadãos brasileiros que vivem no exterior: “Eu perguntei ao Amorim porque ele não falou mais tempo e ele me respondeu: ‘eu estou saindo, presidente’”, disse Lula, antes de acrescentar, olhando diretamente para o ministro: “Você tem que falar mais, meu caro. Quando a gente está se afogando, a gente grita para se salvar”.

Em seu breve discurso, Amorim falou sobre o compromisso do governo Lula em melhorar a situação dos emigrantes brasileiros: “Já fazia parte do programa de governo o atendimento aos brasileiros no exterior. Eu tive a oportunidade, em uma das primeiras visitas do presidente a Portugal, de verificar seu engajamento nessa causa. Logo tivemos um êxito relativo em legalizar uma parte dos brasileiros que viviam lá, e depois iniciamos um processo positivo e o mesmo aconteceu em outros países. Nós fomos paulatinamente atendendo uma a uma as principais reivindicações da comunidade. É claro que há muito por fazer ainda, mas nós conseguimos algo importante”, disse.

Naquela que foi provavelmente sua última visita oficial ao Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, Lula fez um agradecimento ao corpo diplomático brasileiro: “Eu convivi com muitos de vocês quando não era presidente, quando era da oposição ou líder sindical. A minha gratidão ao Itamaraty é porque, mesmo quando eu não era presidente da República, quando eu viajava com o Marco Aurélio Garcia pelo mundo afora, nós sempre fomos tratados e respeitados como cidadãos brasileiros”, disse, antes de nova brincadeira: “Eu espero que pelo menos aqueles que eu promovi me recebam bem agora como ex-presidente”.

Ao falar para os emigrantes brasileiros, Lula disse esperar pelo retorno de muitos deles: “O Brasil oferece hoje mais oportunidades do que alguns países que consideramos ricos e de primeiro mundo, e certamente haverá espaço nas mais diferentes áreas para que os brasileiros possam voltar. No mundo da pesquisa e da ciência, já tem muita gente voltando para o Brasil. Só ficará lá fora o brasileiro que quiser ficar lá fora. Se a economia brasileira continuar a crescer no ritmo que está crescendo, eu penso que não faltará lugar para que os milhões de brasileiros que estejam fora possam começar a regressar para o nosso país”.

Herança bendita
O presidente afirmou que “Dilma não receberá nenhuma herança maldita que eu disse que recebi e que outros presidentes recebem pelo mundo afora” e que sua sucessora “ajudou a construir o Brasil que ela própria vai receber”. Segundo Lula, a situação do Brasil é “altamente privilegiada” se comparada há de muitos outros países: “Eu nunca imaginei que fosse viver para dizer isso e muito menos imaginei que fosse dizer isso no final do meu mandato como presidente da República. Havia gente que dizia que o país não tinha jeito, e certamente o Brasil não teria jeito se a gente olhasse o Brasil com os mesmos olhos que alguns o olharam durante muito tempo. Era preciso fazer algo diferente e tentar incluir aqueles que estavam fora do mercado, da universidade e do consumo no Brasil para que essas pessoas pudessem contribuir para o crescimento do país", disse.

Para destacar o bom momento econômico brasileiro, Lula citou alguns dos grandes projetos em andamento no país: “Três das maiores hidrelétricas que estão sendo construídas no mundo estão aqui no Brasil: Santo Antônio, Jirau e Belo Monte. Certamente, três das maiores ferrovias do mundo também estão sendo construídas no Brasil: a Norte-Sul, a Transnordestina e a Oeste-Leste, que será iniciada no dia 14 de dezembro. Possivelmente, as quatro maiores refinarias em construção hoje estão no Brasil: o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), as refinarias do Maranhão e do Ceará e a refinaria Abreu e Lima em Pernambuco. Não se fazia refinaria no Brasil desde os anos oitenta, e o investimento em refinarias no meu governo foi de quase US$ 60 bilhões”, disse.

Capitalização socialista
Ao enaltecer seu governo, Lula também citou o pré-sal: “Temos investimentos previstos de US$ 224 milhões pela Petrobras na exploração do pré-sal. Acho que não existe na indústria petrolífera do mundo nenhum país em que há um investimento programado em tão curto espaço de tempo, investimento que vai transformar o Brasil em um dos países mais poderosos do setor”.

Em outro momento de bom-humor, Lula disse achar curioso ter sido “exatamente no nosso governo que aconteceu a maior capitalização da história do mundo capitalista”, e concluiu: “É um paradoxo na minha vida, porque eu nasci metalúrgico, depois virei socialista e criei um partido socialista. Mas, foi exatamente esse metalúrgico socialista que vai passar para a história como o presidente que promoveu a maior capitalização da humanidade. A Petrobras, que valia apenas quinze merrecas de bilhões de dólares, hoje tem valor de praticamente US$ 203 bilhões. É a segunda maior empresa de petróleo do mundo e a quarta do setor de energia”, disse.

Juca de Oliveira
Apesar de ter sido o centro das atenções, o ministro Celso Amorim não foi o único a marcar presença ao lado de Lula na passagem pelo Itamaraty, onde também circularam os ministros Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência), Franklin Martins (Secom), Juca Ferreira (Cultura), Carlos Lupi (Trabalho), Carlos Gabas (Previdência Social), Márcia Lopes (Desenvolvimento Social) e Márcio Fortes (Cidades), além de alguns parlamentares “ministeriáveis”.

Em meio às conversas de bastidores, o momento mais engraçado aconteceu quando Lula, ao citar as autoridades presentes, chamou o ministro Juca Ferreira de Juca de Oliveira. Ao perceber o próprio erro e um certo constrangimento no ar, o presidente foi rápido e pediu desculpas ao ministro de uma forma que provocou gargalhadas na platéia: “Você sabe que eu assisto muita televisão”, disse, em referência ao conhecido ator.

Em outro momento, após o ministro Carlos Gabas citar os resultados dos acordos previdenciários que firmou em diversos países, Lula disse: “Agora justificou tanta viagem”. Após a conversa com ministros e diplomatas, o presidente foi ao jardim do palácio, onde, em clima de fim de governo, pacientemente posou para centenas de fotos a pedido de funcionários do Itamaraty e de participantes da conferência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...