quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

JUVENTUDE DEMOTUCANA DO RJ QUER VOLTA DA RÁDIO CIDADE



Existe, nos bastidores da radiofilia na Internet, uma campanha para que a rádio pseudo-roqueira Cidade FM (102,9 mhz), do Rio de Janeiro, volte ao ar depois de sua saída em 2006. Atualmente, a frequência é ocupada pela OI FM, de uma rede sediada em Belo Horizonte e ligada à empresa de telefonia campeã de reclamações dos usuários.

A rede de rádios OI FM também está em crise, o que anima uma minoria de jovens de classe média alta, residentes na Barra da Tijuca e Recreio, que estão organizando uma campanha para a volta da temível Rádio Cidade, na fase que durou entre 1995 e 2006.

A Rádio Cidade deturpou o perfil de radialismo rock para os padrões conservadores do hit-parade, trabalhando o perfil ideológico do jovem "roqueiro de extrema-direita", fã de poser metal e grunge, fanático por futebol e cujo perfil "rebelde" consiste tão somente em ser temperamental, falar palavrões e xingar quem não concordar com seus pontos de vista.

O perfil desse pretenso roqueiro, portanto, junta num só protótipo o comportamento dos hooligans, junkies e fãs de besteirol barato (tipo Pânico na TV), a alienação do Xou da Xuxa com a agressividade dos Hell's Angels, o esnobismo de Beavis And Butthead e o reacionarismo do Comando de Caça aos Comunistas.

Numa comparação mais exata, Cabo Anselmo e Axl Rose se encontram num só perfil do ouvinte "padrão" dessa Rádio Cidade "roqueira" de triste lembrança. A Rádio Cidade surgiu em 1977 como uma despretensiosa rádio pop sem qualquer compromisso ideológico, mas pelo menos mais decente, respeitosa e simpática. Mas preferiu virar, em 1995, uma rádio pseudo-roqueira burra, reacionária e irritadiça.

Mas, por trás dessa obsessão de alguns jovens riquinhos - que pelas facilidades da falsidade ideológica da Internet, podem morar na Barra da Tijuca e se passarem por moradores da Pavuna - na volta da suposta "rádio rock", está o fato de que a postura "roqueira" da Rádio Cidade não passa de uma fachada para um movimento juvenil fascista, filiado ao PSDB e ao DEM cariocas.

Afinal, o Rio de Janeiro teve rádios de rock muito mais autênticas, abrangentes e honestas que a medíocre e reacionária Cidade. Federal AM, Eldo Pop FM, Fluminense FM, Estácio FM, Venenosa FM, a rádio digital Rocknet, além da recente Kiss FM RJ, todas elas, se voltassem ao ar juntas, dariam uma cobertura no segmento rock diante da qual a Rádio Cidade não faria a menor falta. Mas, mesmo diante dessa hipótese, há jovens que, apesar de todos os argumentos, ainda insistem na Rádio Cidade, de preferência com sua reserva de mercado exclusiva.

Por que isso, se a Rádio Cidade nunca cobriu decentemente o segmento rock, deixando muito a desejar até para os padrões mais básicos do radialismo rock?

Simples. Aí entra o aspecto ideológico por trás. É porque a Rádio Cidade, com reduto na juventude burguesa fascista da Barra da Tijuca - elite que já mostrou um assaltante de condomínios, hoje falecido, e uma gangue que deu uma surra numa empregada doméstica num ponto de ônibus - , seria uma espécie de "núcleo cultural" desse movimento de extrema-direita.

Quem acompanhou os fóruns e redes sociais digitais relacionados à Rádio Cidade pseudo-roqueira, pôde identificar vários aspectos de seus ouvintes, adeptos e até mesmo produtores.

No plano político-ideológico, apesar de uns, mentirosamente, se dizerem de "centro-esquerda", adotam um comportamento fascista, algo entre Cabo Anselmo e o Comando de Caça aos Comunistas. Alguns aspectos dessa juventude foram vasados na rede:

1. Eles odeiam ler livros e detestam cinema intelectual.

2. Alguns, mais reacionários, são capazes de mandar e-mails com vírus para quem discordar de seus pontos de vista.

3. Adotam posições golpistas como a defesa do fechamento do Congresso Nacional, a pretexto de "acabar a corrupção", desculpa típica dos extremo-direitistas.

4. Defendem a implantação de mensalidades nas universidades federais, sob a desculpa de que "rico tem que pagar faculdade" (desculpa, que, no entanto, acaba pesando mais para os pobres).

5. Sua irritabilidade fácil e às vezes sarcástica é típica de organizações fascistas, como os neo-nazistas, o Comando de Caça aos Comunistas e muitas torcidas organizadas de futebol envolvidas com violência.

Em alguns momentos, a juventude "roqueira" que defendia a Rádio Cidade faltava com o respeito com mestres do rock como Beatles, Led Zeppelin e The Who, além de odiarem Renato Russo. Preferiram mesmo tão somente aquele rock feito pós-1990, com ênfase no grunge e no poser metal, além do cenário brasileiro pós-Raimundos. Se deixassem, os "roqueirinhos" da Cidade xingariam até a mãe do Ozzy Osbourne e vomitariam no túmulo do ex-Clash Joe Strummer.

Existe até uma semelhança entre a fase 1995-1998 da Rádio Cidade com o período 1964-1968 da ditadura militar, quando o reacionarismo de produtores e ouvintes era mais brando, e com a fase 2000-2006 da emissora e a fase 1969-1974 da ditadura militar, bem mais reacionária.

O reacionarismo da Rádio Cidade tornou-se tão claro que até no Sistema Jornal do Brasil os produtores da emissora eram mal vistos por quem trabalhava em outros veículos do sistema, sobretudo o Jornal do Brasil (periódico hoje disponível somente na Internet, mediante assinatura). Era como uma gangue muito estranha, por ser ao mesmo tempo temperamental, grosseira e reacionária. E olha que o Sistema Jornal do Brasil é uma organização conservadora, mas a Rádio Cidade ia além dos limites.

Tanto que, a certa altura, o Caderno B do Jornal do Brasil, por volta de 2001 e 2002, adotou uma postura discretamente favorável à Fluminense FM, que havia tentado uma volta, primeiro na fase experimental da Fluminense AM. E olha que a Fluminense foi ligada ao periódico niteroiense O Fluminense, até certo ponto concorrente do JB.

Portanto, a campanha pela volta da Rádio Cidade, na verdade, é uma campanha contra as mudanças sociais a ocorrerem no Rio de Janeiro, e, sobretudo, no Brasil, quando o governo Dilma Rousseff promete maior avanço nas conquistas sociais, causando horror na juventude riquinha que reside nos mais altos condomínios da Barra, Recreio e Zona Sul.

É só para essa juventude e seus poucos simpatizantes que interessa a volta da Rádio Cidade. Que nunca se interessou pela realidade concreta da verdadeira cultura rock. Que sempre tratou o jovem fluminense como se fosse um retardado, enquanto o domesticava e inseria nele valores da extrema-direita.

Por enquanto, a pouca idade garante a fachada "rebelde" da "nação roqueira" amestrada desde 1995. Mas, quando essa geração chegar aos 45 anos, mostrará o quanto essa rapaziada toda sempre foi retrógrada. Apenas travestiu seu reacionarismo com muitas gírias e um visual "ixperto".

Um comentário:

  1. Puxa, Alexandre. Você está pronto para colaborar com o blog pela volta da Rádio Cidade, que eu estou dirigindo. Mas eu estou deixando claro que, podemos, sim, querer a volta da Cidade, só que a original (pop) ou mesmo a pop-rock dos anos 80, não essa malfadada "Rádio Rock" arrendada pela Oi FM.

    Vou mandar um convite para você, para aquele endereço do Bol. Gostaria que você republicasse este texto no blog da Cidade.

    Além disso, peço um favor: se você tiver alguma imagem da logomarca da Cidade FM de 1977, por favor me envie. Eu pretendo coloca-la no lugar da logomarca da "Rádio Rock" que está no cabeçalho do blog. Mande para o e-mail do TRIBUTO.

    http://voltacidade.blogspot.com

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