sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A "GUERRA FRIA" NO CASO WIKILEAKS



Por Alexandre Figueiredo

Julian Assange tem a mesma idade que eu, 39 anos. Mas não tem a mesma sorte que eu, aspirante a servidor público, ainda morando com os pais.

O fundador do Wikileaks trocava de telefone celular, vivia em casas de amigos, não tinha uma residência fixa. Tudo porque ele teve a coragem de cutucar a onça com vara curta e despertar a fúria das feras imperialistas.

O que ele fez não era considerado lícito. Ele divulgou os segredos confidenciais da diplomacia norte-americana e de outras a ela relacionadas. Mas, diante dessa atitude não-autorizada e oficialmente ilegal, Julian Assange e seus companheiros expuseram os podres da política imperialista, abalando as estruturas de países que se associam a blocos políticos internacionais estratégicos, como o G-8 (países mais industrializados), OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

Julian foi "acusado" por uma suposta informante de ter cometido crimes sexuais na Suécia. Foi apenas pretexto para justificar a prisão dele, que, como um espião digital ou uma espécie de Robin Hood da geopolítica mundial - no sentido de que afetou seriamente as manobras políticas dos países ricos - , abriu a Caixa de Pandora da política internacional.

O episódio de Julian Assange e do portal Wikileaks mais uma vez faz despertar os fantasmas da Guerra Fria que as quedas do Muro de Berlim e do Leste Europeu não fizeram destruir. Certamente, as autoridades dos países mais ricos se tornam claramente favoráveis a qualquer repressão contra Assange e o Wikileaks. Por outro lado, quem defende a verdadeira liberdade de informação - não aquela "liberdade" engravatada dos grandes editores da grande imprensa - está no lado do portal e de seu fundador.

Mesmo o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, que acaba de ter dado, com simpatia e serenidade, entrevista para blogueiros progressistas e radialistas comunitários, demonstrou solidariedade a Assange / Wikileaks. O teórico da Comunicação, Umberto Eco, e o jornal britânico The Guardian também saíram a favor do "perigoso" internauta.

Por outro lado, um jornalista da Fox pregou a pena de morte contra Julian Assange. Outras manifestações de repúdio a Assange e Wikileaks também estão à tona pelo mundo.

Enquanto isso, internautas solidários a Assange e Wikileaks fazem várias iniciativas, algumas até exageradas. Mas, em todo caso, são louváveis as iniciativas da "Operação Vingar Assange" que invadiram sites relacionados à repressão ao rapaz, assim como o caso de quem clonou as informações do Wikileaks ou mesmo o próprio portal para continuar veiculando informações políticas confidenciais. Há também petições solidárias a Assange, como do portal Avaaz.Org e do Petition On Line, e em ambas eu participei.

O blog Angry Brazilian, de Raphael Garcia - http://tsavkko.blogspot.com/ - dá uma boa cobertura do caso Wikileaks, que vale a pena os interessados pararem para ler os textos e o manifesto de solidariedade a Julian Assange.

Uma coisa é certa. Julian Assange derrubou a tese do "fim da História" que um feliz Francis Fukuyama lançou no conforto de seu escritório. A História continua, enquanto o homem é homem, e mais uma vez Fukuyama, já desafiado, antes, pelos episódios de 11 de setembro de 2001, foi abalado seriamente na sua festejada tese. E pela ação de um único homem e seu sítio de Internet.

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