quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

FOLHA DE SÃO PAULO DIZ QUE A INDÚSTRIA CULTURAL MORREU. DÁ PARA ACREDITAR?


FORA DA MÍDIA? - Enquanto o tecnobrega posa de "anti-mídia" e "anti-indústria", a Folha, a Som Livre e até a Veja se rendem abertamente ao gênero.

Que mentira, que lorota boa!!

É bom viver no Brasil.

O cara pode ser um neoliberal, um direitista enrustido, mas por esta ou aquela desculpa pode ser esquerdista.

No Brasil, se faz uma música comercial que, para convencer os otários, agora diz que "está fora da indústria", "está fora da grande mídia".

E advinha quem é que endossa essa mentiralhada toda?

A grande mídia, é claro.

Vejam esta nota dada pela Folha de São Paulo.

Editores e repórteres da FOLHA DE SÃO PAULO - repetindo, FOLHA DE SÃO PAULO - , elegeram os 50 álbuns mais influentes para a formação da dita "identidade cultural brasileira".

Ou seja, a lista tem a pretensão de creditar obras com "valor artístico reconhecido".

E o que vemos na lista? Evidentemente, existe a MPB que os críticos consideram patrimônio privativo de seu gosto pessoal, que o povo "não tem condições" de apreciar.

Mas, ao longo da lista, o que também vemos: nomes da Música de Cabresto Brasileira como Grupo Revelação, Banda Calypso, César Menotti & Fabiano, Tati Quebra-Barraco e, pasmem, Ivete Sangalo.

Todos "fora da mídia", "fora da indústria", cujo sucesso é atribuído "decisiva" e "exclusivamente" às redes sociais da Internet, ao iPod, ao iPad, às gravadoras ditas "independentes" (que de "indie" só têm a pose, porque a mentalidade é puramente mercantilista).

Detalhe: Ivete Sangalo, símbolo do conservadorismo fonográfico dominante, contratada pela Rede Globo (até para apresentar programa na casa), queridinha do Grupo Abril - esta semana, por exemplo, ela é capa de Caras (quem ainda não acredita, clique aqui) - , "paquerada" pela Folha de São Paulo, nunca poderia ser anti-mídia, nem anti-indústria ou coisa parecida.

Claro, a própria grande mídia estabelece essa mentira que o tecnobrega está "fora da grande mídia".

E já estão dizendo que até o "sertanejo" está "fora da indústria", como a Veja tentou dizer que o estilo está "fora da mídia".

Balelas! O que acontece é que mudam os personagens, mudam as instituições, mas a indústria continua a mesma, a mídia também.

O problema é que existe uma fragmentação de recursos midiáticos que confunde muito as pessoas.

Além da própria grande mídia mentir, quando diz que o tecnobrega e o "funk carioca" estão "fora da mídia e da indústria", a própria indústria mudou, mas manteve seus princípios.

Da mesma forma que a política neoliberal de hoje é representada pelos "esquerdistas" PSDB, PPS e até PV, que provaram que a direita brasileira continua viva, as "grandes gravadoras" de hoje são alguns "pequenos" selos, que só são independentes na teoria, mas que na prática pensam igualzinho às hoje decadentes multinacionais.

Grande mídia também é o serviço de autofalantes na cidade do agreste que toca sucessos bregas. Grande mídia é o canal dos fãs do cantor Belo, por exemplo, no YouTube.

A grande mídia pode ser também a grande FM regional que lidera os pontos do Ibope, pode ser também a rádio comunitária controlada por deputados, pode ser uma rede de fãs-clubes dos ídolos popularescos que monta uma gravadora e um esquema "próprio" de mídia.

Ou seja, existe uma grande mídia e uma grande indústria que apenas muda suas instituições.

É a mesma velha ordem mundial que muda os personagens, muda os anéis, mas têm os mesmos dedos, os mesmos procedimentos, não mais num escritório em Nova York ou na Avenida Paulista, mas já num escritório num novo mega-edifício de Belém, de Manaus, de Salvador, de Palmas, de Goiânia, da Barra da Tijuca, no Rio, ou de Jundiaí.

Essa "mídia alternativa" e "mídia independente" não existem, é tudo reencarnação da velha grande indústria, da velha grande mídia, que apenas seguem o processo de descentralização administrativa próprio das modernas teorias neoliberais.

Portanto, é muita hipocrisia o "sistema" se autoproclamar "anti-sistema".

No fundo, o "sistema" apenas quer brincar de "combater o sistema".

Mas, depois dessa brincadeira, seus princípios serão mantidos.

No final das contas, é o mesmo empresariado que fatura horrores às custas dos incautos, mesmo com esse papo de que "a indústria cultural", seja fonográfica, seja midiática, "morreu definitivamente".

No fundo, esse papo apenas serve para que a verdadeira mídia alternativa, o verdadeiro mercado alternativo, sejam impedidos de buscar seu espaço de desenvolvimento e expressão.

3 comentários:

  1. Elementar, caros leitores. A Folha de São Paulo que acredita que a ditadura militar foi a "ditabranda" é a mesma que acredita que o comercialismo não existe na música brasileira. Como se uma bobagem tipo "rebolation" fosse tão underground quanto o rock do Violeta de Outono ou tão folclórico quanto os repentistas do Nordeste.

    Pena é que essa mesma visão é servida pela imprensa escrita de esquerda através de Pedro Alexandre Sanches e asseclas.

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  2. A Falha de São Paulo é o novo Francis Fukuyama!

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  3. Bom, Lucas, é bom deixar claro que a "Falha de São Paulo" que você cita não é o admirável blog satírico, mas o infame jornal direitista.

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