domingo, 19 de dezembro de 2010

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS



Por Alexandre Figueiredo

Existem dois pesos e duas medidas.

A Folha de São Paulo processa dois irmãos porque eles fizeram um blog satírico que prejudicou tão somente um jornal e uma família proprietária famosos por suas posturas reacionárias.

E ganha a causa.

Por outro lado, Paulo Maluf, considerado perigoso até pela Interpol, um dos corruptos mais típicos de nosso país, pode ser deputado federal tranquilamente.

Ele foi absolvido e sai da Justiça pela porta da frente, cumprimentando esnobemente quem estiver à sua frente.

Os concursos públicos são tão austeros que as provas, mesmo malfeitas, não permitem recursos. E quem foi reprovado, mesmo se esforçando para fazer uma boa prova, na velha decoreba, na maratona de memorizar um complicado programa de estudo em dois meses, não pode reclamar.

Mas o carinha apadrinhado no funcionalismo público não sai. Fica, porque é amigo de fulano.

Enfim, há dois pesos e duas medidas. Que representam uma triste tradição para o país.

Não porque o povo pensa assim. Mas porque parte da sociedade, dita "influente", assim quer.

Até para conseguir a namorada que fulano deseja, é muito difícil.

Tem moça que não se sensibiliza sequer com o bom caráter e o perfil batalhador do rapaz. Se ele não é sócio de um restaurante no Leblon, de uma empresa de telefonia de Osasco, então nada feito!

Mas se aquele burguesinho que saiu da prisão, condenado por um crime passional, faz todo um teatrinho pseudo-melancólico, a moça aceita na hora.

É preciso que os valores sociais relacionados à dignidade sejam prevalecidos, que alguma mobilização seja feita para repudiar a impunidade socialmente estimulada ou tolerada.

Afinal, quem é que fez Paulo Maluf ser eleito?

Quem é que contribui para as altas vendagens da Folha de São Paulo?

A liberdade de poucos, os privilégios de uns menos ainda, enquanto maiorias sofrem.

Não posso ter a colega mais linda e inteligente da faculdade, mas se quiser ter a dançarina de pagodão da hora, eu posso. Mas eu não quero.

A favelada não pode ser professora, costureira, cozinheira, nem doméstica, ela tem que ser funqueira, mulher-fruta se é "atraente", ou então faz o ridículo papel de "mocréia revoltada".

Enquanto isso, os verdadeiros chefões do tráfico a gente não vê. Estão vestidos dos melhores ternos e gravatas, tomando o mais caro champanhe nos maiores cruzeiros marítimos. E vão para Nova York como quem vai para a casa do vizinho.

O Brasil perdeu dinheiro de forma legal e ilegal pelas transções capitalistas lícitas ou ilícitas.

Com o que foi perdido desde 1964, daria para investir na irrigação do agreste nordestino e resolver toda a pobreza nas grandes cidades.

Jango foi restringir essa remessa de lucros, essa debandada de dólares do Brasil, e os generais o depuseram. E deixaram o país à beira da bancarrota.

Hoje estamos traçando um caminho, através da Era Lula. Mas é preciso que as pessoas deixem os cacoetes pós-1964.

Se Maluf não tivesse sido eleito, talvez ficasse no seu ostracismo, cheio da grana, é certo, mas sem qualquer pretexto de "apoio popular".

Mas foi Amaury Jr. - não o do dossiê Serra, mas o colunista social - proteger Paulo Salim Maluf nas páginas da revista Flash que a patota animada teve gosto de recolocar o picareta no Legislativo, novamente.

E Maluf, cínico, fazendo-se de bajulador de Lula. Feito seus amiguinhos de roubalheira Fernando Collor, Mário Kertèsz, José Sarney e Renan Calheiros.

E ainda tem Anthony Garotinho também saboreando gulosamente da mesma pizza malufista.

Quem apoia eles deveria ter vergonha. Como também os incautos que não têm ideia do QI medievalóide da Folha de São Paulo.

Por isso o nosso país não vai para a frente.

O Brasil se evolui, mas ainda tem muita gente querendo puxar o tapete para trás.

O demotucanato medievalóide, o machismo das popozudas, a corrupção dos mais ricos, a fúria dos prepotentes, a impunidade socialmente consentida. Tudo isso são ainda fantasmas a rondar o nosso país e que querem o velho retrocesso golpista de volta.

Que tristeza.

P.S.: A propósito, dona Solange Gomes, a musa maior dos "machistas selvagens" (cada vez mais desprezando titia Maitê), mostrou seu decote num restaurante, para delírio daqueles que defendem a coisificação da mulher brasileira. Eu estou fora dessa.

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