quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

BLOGOSFERA PROGRESSISTA, FEMINISMO E POLÊMICAS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Apareceu uma polêmica em torno do termo "feminazi" que um internauta divulgou em um texto publicado no blog de Luís Nassif. E que fez voltar as discussões em torno do machismo e do feminismo.

O caso também mostra o quanto é expressiva a força das blogueiras progressistas, das mulheres que fazem ou colaboram (seja nos comentários ou colaborações) em blogs progressistas.

O caso também mostra o quanto o feminismo nada tem a ver com aquele atribuído pela intelectualidade etnocêntrica às funqueiras ou popozudas. Aquele pseudo-feminismo que não passa de um mero desprezo aos homens, mas de um conjunto de valores machistas que são seguidos sob a máscara do celibato, como se "ser feminista" fosse unicamente viver sem a sombra de um homem.

O verdadeiro feminismo tem a ver com a conquista de direitos das mulheres, dentro do convívio livre e harmonioso com os homens, conforme a sociedade verdadeiramente democrática determina.

Blogosfera progressista, feminismo e polêmicas

Por Conceição Oliveira - Blog Maria Frô

Uma intensa polêmica se formou nas redes sociais a partir de um texto publicado por Nassif de um membro de sua rede que assina André. O autor usava o termo feminazi. É um termo desqualificador que associa a luta das mulheres ao nazismo. Cynthia Semíramis fez um post explicando o conceito e sua inadequação.

Muitas outras blogueiras responderam ao texto. Depois posto alguns desses links.

Não acompanhei desde o princípio as discussões no post original da rede do Nassif nem no twitter pois, no sábado, quando parece que a polêmica se instaurou, passei o dia em num evento com o MST e outros movimentos sociais. No sábado à noite a lista das blogueiras feministas fervilhava.

Nassif explicou ontem como funciona a sua rede e, do seu ponto de vista, justificou a sua posição. E, na sequência, publicou um texto que desqualificava a Marcha Mundial das Mulheres, diminuindo sua importância e usando termos como ‘facção’. Enviei a ele o primeiro texto publicado no blog da mulher, trata-se de um debate sobre o conceito do feminicídio e a importância da luta das mulheres para o combate à violência. Convidei a socióloga Tica Moreno, da SOF, para falar sobre a Marcha das Mulheres. Nassif também publicou em sua rede esse texto que explica a importância da MMM no Brasil e no mundo.

A meu ver o nível acalorado que tomou conta do debate foi desgastante com a desqualificação nos dois pólos. Talvez os ânimos não tivessem se acirrado e pudessem ter sido amenizados com um pouco de conhecimento sobre o feminismo por parte de Nassif e entre as feministas o conhecimento sobre as próprias diferenças presentes no amplo espectro progressista que agrega os blogs ’sujos’ ou o que passou a ser denominado (após o primeiro encontro de blogueiros em agosto de 2010) de ‘blogosfera progressista’. Mas, infelizmente, sobrou generalizações de toda a sorte.

O feminismo tem muitas correntes e a blogosfera ‘progressista’ é muito ampla, o próprio debate via twitter mostrou que havia blogueiros que questionaram o texto depreciador do movimento feminista e blogueiras que se opunham à desqualificação pessoal do jornalista Nassif, incluindo blogueiras feministas.

Espero que toda esta polêmica sirva para todos nós qualificarmos este debate. Conhecer, respeitar e encampar a luta feminista interessa a todos homens e todas mulheres que lutam contra as desigualdades. O feminismo nada tem a ver com guerra de sexos ou supremacia feminina, a luta contra o sexismo é uma luta que interessa a todos.

Como contribuição a este debate além dos links citados, trago o texto da Ana Paula Diniz:

Os Movimentos Sociais e a polêmica com o feminismo

Por: Ana Paula Diniz (via lista das blogueiras feministas)

13/12/2010

Grande parte dos movimentos sociais que lutam pela inclusão e eliminação das desigualdades o faz a partir de uma lógica identitária que inclui e exclui ao mesmo. Por exemplo: no caso do movimento feminista, em discussão esses dias, luta-se por algumas questões específicas em determinados momentos, como o aumento de número de creches. Essa busca, no momento em que é feita, vai jogar luz sobre um grupo de mulheres, as mães, necessariamente ofuscando outras tantas questões importantes. Nesse sentido, todo movimento social, na medida em que cria conceitos ou categorias que visem abarcar um segmento de cidadãos, acaba por excluir diversos outros que poderiam se reconhecer como parte daquele grupo. Essa dificuldade se torna ainda mais crítica, se considerada a indispensabilidade de criação de laços que permitam a identificação dos membros para que se tenha a coesão necessária dentro do movimento social. Mas como criar laços sem ter pontos de convergência, pontos em torno dos quais os militantes irão lutar? E mais, como o fazer sem excluir outros? Sem colocá-los como marginais dentro do próprio movimento?

Ao mesmo tempo, os movimentos sociais que buscam mudanças gerais, amplas, perderam força nos últimos anos. Isso se deve, em parte, às novas configurações sociais pós-muro de Berlim que tornaram as lutas mais fragmentárias e criaram dificuldades para que os diversos grupos pudessem estabelecer diretrizes convergentes nas ações tomadas. Podem-se destacar também os inúmeros questionamentos em torno das “origens” da marginalização, os quais colocam as hierarquias sociais como decorrentes não só de fatores econômicos, mas também de questões culturais. Assim, as lutas e conquistas deixam de se concentrar em reivindicações que possam ser generalizadas para todo e qualquer ser humano, para se concentrar em grupos de pressão que conseguem se organizar e que buscam objetivos comuns. Isto, contudo, não retira a legitimidade destes movimentos. Mesmo que não se consigam mudanças estruturais profundas na sociedade em que vivemos, tais movimentos sociais conseguem fazer com que diversos debates avancem e explicitem perspectivas marginalizadas.

Bom, mas por que tudo isso?

O debate sobre as feministas radicais e o post tão comentado colocam em questão que ao se defender o não-apedrejamento das mulheres no Irã, se estaria – em um pressuposto e por omissão – defendendo o apedrejamento de homens e, assim, sendo partidário. Isso se mostra no mínimo questionável, por dois motivos. Primeiro, porque, como discutido, para que o movimento possa agir ele deverá eleger motes estratégicos, mesmo que os abandone depois. A luta contra todas as opressões deve ser a base, o fundamento do movimento, mas, na hora de agir, deve-se ter o porquê agir, pois caso contrário a ação fica muito prejudicada. Em segundo lugar, mas relacionado, para se eleger a ação a ser tomada, deve-se levar em conta problemas contextuais. (Até onde me lembro, nunca vi nada sobre homens serem apedrejados por adultério, você já?). Nesse sentido, quando se estabelece o ponto de luta, não se está colocando os demais como questões pelas quais não se deve lutar, mas sim, elegendo o que se mostra mais premente em um momento específico.

Por fim, essa associação do feminismo com uma guerra de sexo demonstra desconhecimento sobre o que seja o movimento. O feminismo quer libertação para mulheres e homens, e não sofrimento e morte para os segundos. Essa ideia só faz desqualificar o movimento.

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