terça-feira, 16 de novembro de 2010

PRECONCEITO ELITISTA NA TV CATARINENSE



Por Alexandre Figueiredo

Já não vivo mais na minha terra natal, Florianópolis, há um bom tempo. Mas admiro e respeito a capital catarinense e lamento que a mídia golpista de lá, eventualmente, pega muito pesado.

Não bastasse o caso do filho de um chefão da Rede Brasil Sul (poderoso grupo da mídia golpista da região Sul do país) se envolver num estupro de uma adolescente, agora é a vez de um comentarista de um telejornal local expressar seu violento preconceito social.

Sei que a palavra "preconceito" é tão surrada, desgastada. Mas aqui a palavra "preconceito" aparece no seu significado justo, de denunciar atitudes de verdadeira segregação social. É o caso do apresentador Luiz Carlos Prates, o comentarista em questão, com todo aquele tipo moralista e pretensamente polêmico (ele não é polêmico, é reacionário mesmo).

Pois, como se ele quisesse tratar o povo como idiota - e ele dirige aos coitados de meus conterrâneos - , ele reclama que "qualquer miserável agora tem carro". Reclama das conquistas sociais das classes populares, chama os apartamentos que o povo conseguiu comprar de "gaiolas", e, assim tão vagamente, como todo preconceituoso, acha que o povo não tem qualidade de vida, mas tem carro.

Certamente, não sou a favor do excesso de carros nas ruas. E nem usaria automóvel para percorrer rodovias durante o feriadão. Tenho um blog a respeito, Menos Automóveis Nas Ruas, também dedicado à busologia e ao urbanismo, mas que faz críticas a isso.

Mas o comentário de Prates é de uma mesquinhez e desrespeito que não contribuem sequer para corrigir os erros que ocorrerem nas classes populares ou na classe média. É um comentário que não educa, não informa, não conscientiza, não ajuda na defesa da cidadania. É apenas uma opinião moralista grotesca, elitista, rancorosa.

Uma coisa é criticar que as pessoas usem seus automóveis sem motivo. As pessoas deveriam pensar duas vezes se precisam mesmo usar um automóvel para dadas ocasiões. Mas as pessoas têm direito de comprar um automóvel. Portanto, o que não pode é aceitar um comentário fascista como o de Luiz Carlos Prates, de puro mau gosto. E que não contribui para estimular um uso moderado e responsável do automóvel.

Em se tratando de mídia golpista, manter um reacionário desses como comentarista é compreensível. O que é o interesse público, para a mídia conservadora? Nada mais do que conversa para boi dormir.

2 comentários:

  1. Me recuso a comentar um vídeo fascistóide como esse.

    Mas coloquei o vídeo e um link para o Mingau no Brasil, um País de Tolos.

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  2. Bom dia,

    Estatisticamente, são os miseráveis que provocam os acidentes, ou são miseráveis aqueles que vivem da desgraça de todos, banalizando a violência e incentivando o fútil?

    Enquanto for mais rentável o pão e o circo, não há como mudar esse país!

    Como incentivar a prática da leitura, se a própria imprensa dá mais valor a futebol, samba, sexo e violência?

    Alessandro Campos

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