quarta-feira, 17 de novembro de 2010

POLÍTICA: COITADO DO GAGÁ DO FERREIRA GULLAR



COMENTÁRIO DESTE BLOG: O poeta concretista Ferreira Gullar, antes um militante ativista cultural, integrante dos CPC's da UNE, tornou-se direitista como seu colega cepecista Arnaldo Jabor. Não temos mais Oduvaldo Vianna Filho nem Carlos Estevam Martins para os relembrarem da luta cepecista. Os dois se tornaram ranzinzas demotucanos. De Jabor, sabemos devido às suas colunas na Rede Globo e O Globo. Mas aqui o assunto é Ferreira Gullar.

POLÍTICA - Coitado do gagá do Ferreira Gullar.

Por Pedro do Coutto - Tribuna da Imprensa On Line - Reproduzido por um Blog de Um Sem-Mídia

O jornalista e poeta Ferreira Gullar escreveu um artigo domingo passado, no seu espaço semanal na Folha de São Paulo, que não se ajusta à sua vastíssima cultura, tampouco a seu grande talento. Leitor de seus textos, fui surpreendido com a afirmação que, no seu governo, Dilma Rousseff nada fará sem consultar Lula. Gullar confessa ter votado em Serra, talvez neste plano se encontre a razão da afirmativa. Absurda, por sinal. O autor de “A Luta Corporal” e do “Poema Sujo”, obras que o destacaram no plano da arte ao lado de sua participação no movimento neoconcreto de 1956, não podia ignorar a eterna verdade que não existe dois seres iguais na face da Terra. Cada um tem sua visão, suas razões, suas emoções, seus critérios e estilos diferentes. A proximidade entre as pessoas não significa igualdade. O universo seria mais dramático do que já é se fosse assim. Cada um de nós tem suas simpatias e antipatias.

Se isso ocorre na vida cotidiana de nós, que dirá quando os personagens são presidentes da República? Têm a caneta, na realidade o maior instrumento possível do poder. Na peça Ricardo III, Shakespeare escreveu uma frase que ficou na história como símbolo de luta e desfecho: meu reino por um cavalo. O rei se defendia a pé, de inimigos montados. Quatrocentos e cinqüenta anos depois, pode-se atualizar a exclamação impressionista, traduzindo-a para meu reino por uma caneta. A partir de primeiro de janeiro, a caneta encontrar-se-á entre os dedos de Rousseff.

Dilma não vai consultar Lula de forma permanente, Lula sabe e isso tampouco lhe interessa. Aliás muito menos interessa à presidente que assume. Se cada um é uma pessoa, cada um tem a sua equipe. Se esta ficasse a mesma, estaria politicamente descaracterizada a passagem do poder.

Lula – suponho – não deverá sequer ficar no país. Nenhuma nação pode ter dois presidentes, uma na frente do palco, outro atrás dos bastidores. Provavelmente Dilma nomeará Lula, daqui a alguns meses, embaixador do Brasil junto à ONU. Certamente ele desejará tal missão. Esgotada, por enquanto, pelo menos durante quatro anos, sua atuação no cenário nacional, é até natural que as desloque para o teatro internacional. A distância entre Nova Iorque e Brasília o livrará de pedidos e tensões e deixará Dilma mais à vontade para governar.

O poder não se divide, me disse um dia , em matéria para o Correio da Manhã o presidente Juscelino, a propósito de uma questão relativa à sucessão baiana de 1958. Havia ocorrido uma cisão no PSD e outra no PTB, com o grupo de economista Rômulo Almeida opondo-se ao comando do então vice João Goulart. Rômulo queria ser candidato ao governo estadual sucedendo a Antonio Balbino. Não obtendo a legenda, dispôs-se a concorrer a vice de Juraci Magalhães. “Não faça isso”, disse JK. “Você não vai conseguir”. Rômulo, pelo telefone, acentuou que Juraci ficaria com a parte política e ele com a econômica. Juscelino cortou rápido assinalando: “o poder não se divide”.

Almeida perdeu a eleição de vice (naquele tempo era separada). Juraci saiu vencedor. O fazendeiro Orlando Moscoso venceu e se tornou vice-governador. O poder não se divide. Nunca esqueci a frase. Ela me acompanha até hoje quando escrevo sobre política. Poderia dar vários exemplos: Lucas Garcez em relação a Ademar de Barros; Miguel Couto Filho em relação a Ernani do Amaral Peixoto. Prefiro uma lição mais modena. Ernesto Geisel indicou Golberi do Couto e Silva para chefe da Csa Civil de João Figueiredo. Permaneceu apenas quinze meses no posto.

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