segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O FIM DOS CASSETAS E A "MILLITÂNCIA" DE MARCELO MADUREIRA


MARCELO MADUREIRA QUERENDO APARECER MAIS DO QUE OS CASSETAS?

Por Alexandre Figueiredo

Na semana passada, foi anunciado o fim do programa Casseta & Planeta, Urgente, que sairá do ar no próximo dia 21 de dezembro, com o encerramento da temporada anual. O motivo do fim, consequente do humor repetitivo e desgastado do grupo, teria sido as sucessivas quedas de audiência do programa, que chegou a perder 21 pontos nos últimos anos.

O grupo de humoristas anunciou que, mesmo com o fim do programa, a união continua e os seis estarão planejando um novo programa, a entrar no ar no segundo semestre do próximo ano. Enquanto isso, a parceira do grupo e ex-VJ da MTV, Maria Paula, além de ter mais tempos para cuidar dos filhos (ela está solteira), vai diversificar seus trabalhos como atriz.

A repercussão pelo anúncio, no entanto, causou em boa parte das pessoas uma reação bem diferente em comparação com o falecimento repentino do mais carismático dos cassetas, Cláudio Besserman Viana, o Bussunda - irmão do economista Sérgio Besserman Viana - , durante a Copa do Mundo de 2006.

Bussunda - que na música "Mãe é Mãe", um dos temas musicais do grupo, parodiava Tim Maia - era o mais intelectualizado do grupo. Chegou a apresentar, na TVE carioca, o programa de entrevistas Cabeça Feita. Além disso, foi colunista do extinto suplemento teen Zap!, de O Estado de São Paulo. Era, também, o que parecia ter um senso de humor menos grotesco em relação aos demais.

Naquela época, sentiu-se uma tristeza em relação à perda do comediante, que, entre outros papéis - como o de Wilson Montanha, parceiro de Carlos Massaranduba (Cláudio Manoel), do seringueiro irritado com a piada de "tirar leite do pau" (trocadilho com punheta) e de Marrentinho Carioca, jogador do Tabajara Futebol Clube - , parodiava figuras como Antônio Carlos Magalhães, Sérgio Chapelin, Zeca Camargo e Diego Maradona, Ronaldinho e o presidente Lula.

Com o falecimento de Bussunda, até alguns personagens tiveram que ser parodiados pelos remanescentes. Por exemplo, as paródias de Zeca Camargo passaram para Beto Silva. Hubert Aranha herdou outras paródias de Bussunda, como Ronaldinho e Maradona, além de ter ganho a votação de qual casseta passaria a satirizar Lula.

Hubert também tornou-se famoso pela paródia de Fernando Henrique Cardoso, além de ser responsável por parodiar Galvão Bueno e de fazer, junto com o colega dos tempos do Planeta Diário, Reinaldo Figueiredo, paródias como o Casal Telejornal (quando Hubert e Reinaldo, respectivamente, parodiam William Bonner e Fátima Bernardes) e o Cafofo do Osama (Hubert no papel de Jurema e Reinaldo no de Osama Bin Laden).

O fim do programa, do contrário do Bussunda, causou alívio em muita gente, mesmo aqueles que, independente do plano ideológico, achavam que o humorismo do grupo estava ficando chato. Havia até piadas do tipo "Casseta acabou: seus problemas acabaram", além de outras comemorações.

Até mesmo as paródias acabaram ficando frouxas, sem graça. Duas paródias de Reinaldo são o efeito disso. Em uma delas, Reinaldo criou uma caricatura do técnico Dunga bem mais ranzinza que o técnico da seleção. E, para puxar a brasa para a sardinha demotucana deles, o "Dunga" de Reinaldo falava mal da imprensa, em alusão ao episódio da briga de Dunga com a Rede Globo, ao se recusar a dar entrevistas exclusivas para os repórteres da "casa". Para o pessoal da Globo, a imprensa "global" é "a imprensa".

Noutra paródia, Reinaldo fazia o contrário que fez com Dunga. Criava um José Serra mais bobão, inofensivo, apenas preocupado com sua calvície. Era mais um irmão gêmeo do Dráuzio Careca, paródia que Reinaldo fazia do médico Dráuzio Varella, colunista do Fantástico. Certamente em respeito ao então candidato dos cassetas e de seus patrões, a paródia era tão inofensiva, tão inócua, que era muito sem graça e, tão somente, tola.

Até o próprio José Serra seria melhor comediante, com suas caretas colhidas em várias fotos da Internet, como aquela, famosa, quando Serra, olhando para a câmera, faz um sorriso cínico ao segurar uma das armas entregues à polícia de São Paulo.

BREGA-POPULARESCO - O fim do Casseta & Planeta Urgente também é o fim de uma das vitrines midiáticas da Música de Cabresto Brasileira, a pretensa "música popular" que aparece nas rádios FM e na TV aberta e que, fundamentada na domesticação social do povo pobre, é um dos pilares da manipulação social da grande mídia, realidade ainda ignorada pela maioria dos intelectuais, mesmo os de esquerda.

No momento de desespero em que toda uma linhagem de cantores e grupos de música brega e neo-brega (neste caso, a axé-music, breganejo, sambrega, "funk carioca" e outros estilos surgidos depois da onda de Sullivan & Massadas, que fizeram o brega tornar-se digerível para as classes média e alta), em avançado desgaste, apelam para todo tipo de campanha apologética, mesmo com medo de serem associados à mídia golpista que os criou e os sustenta, o espaço dos cassetas era uma propaganda eficaz, ainda que arriscada.

Afinal, um dos quadros do Casseta & Planeta Urgente mostra a cantora de axé-music Acarajette Lovve (Beto Silva), cujo assessor, Waldeck do Curuzu, é interpretado por ninguém menos do que o demotucano de carteirinha, Marcelo Madureira.

Até a Banda Calypso, que fez manobras tendenciosas para seduzir a intelectualidade de esquerda - "sucesso" através de pequena gravadora, suposta indicação ao prêmio Nobel da Paz e apadrinhamento do pseudo-vanguardista tecnobrega - , apareceu mais uma vez acolhido por Marcelo Madureira, seja ele como repórter do programa, seja como Waldeck do Curuzu.

Mas, se até Gaby Amarantos aparece nas páginas da Veja, em tratamento respeitoso e cordial, tudo pode acontecer. Aliás, o tecnobrega, tido como "sem mídia" tal como o "funk carioca" anos atrás, foi acolhido pela mesma Rede Globo que acolheu os funqueiros. Só acabou a chance de ver a Beyoncé do Pará participando do quadro da Acarajette, perto do Marcelo Madureira, para frustração da intelectualidade de futuros neocons, mas hoje tirando proveito de suas relações com militantes de esquerda.

Até mesmo o "sertanejo universitário" sempre esteve à vontade diante dos cassetas. Recentemente, eles foram acolhidos por Beto Silva e Hélio de La Peña, num evento ocorrido no interior paulista. Mesmo a tese, de cunho kafka-febeapaense, de certos intelectuais que acreditam que o "sertanejo universitário" está fora da grande mídia - é só fazer sucesso na Globo, mas também aparecer na Record, que a intelligentzia logo diz que "fulano está fora da grande mídia" - , não esconde essa satisfação dos "sertanejos" em geral (incluindo os "universitários") da gentil hospitalidade de Marcelo Madureira e companhia.

MILLITÂNCIA - Com as longas férias do Casseta & Planeta, Marcelo Madureira terá mais tempo para fazer sua militância no Instituto Millenium. Seus novos colegas de cena passarão a ser Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Otávio Frias Filho e outros.

Talvez Marcelo Madureira encomende, no Instituto Millenium, um bom prato da culinária mineira, na hipótese do professor mineiro Eugênio Arantes Raggi, figura "polêmica" nos fóruns de Internet, deixar o teatrinho pseudo-esquerdista.

O ultrareacionário Raggi não convenceu os internautas na sua postura falsamente petista, pretensamente anti-PiG e pseudo-progressista, por ela ser forçada, de comentários previsíveis e bajulatórios. Raggi é um dos mais cotados para ser neocon nos próximos anos, talvez se encoraje a pegar o avião BH-Sampa para ir ao Instituto Millenium e provar que seus comentários "contra" o referido casseta não passaram de jogo de cena, já que, no fundo, Raggi e Madureira falam a mesma língua.

Madureira, por sua vez, deve trabalhar sua campanha anti-petista normalmente. O casseta, que chamou Lula de "vagabundo" e, na "pessoa" de Agamenon Mendes Pedreira, comparou Dilma Rousseff ("Dilma Roskoff", para os cassetas) a uma droga, reserva surpresas ainda maiores, no seu reacionarismo.

Até lá, o humorismo continuará seguindo, na direita e na esquerda. O sucessor de Madureira já surgiu para animar os direitistas, outro Marcelo, o Marcelo Tas, do programa CQC da TV Bandeirantes. Da mesma geração intelectual que veio também nomes como Nando Reis, Patrícia Pillar, Sônia Francine e o "esquerdista" Pedro Alexandre Sanches, Tas andou fazendo comentários direitistas no Twitter.

Por outro lado, um outro Marcelo, o carioca Marcelo Adnet, andou parodiando os demotucanos num hilário vídeo em que o marido de Dani Calabreza faz o papel de um ricaço esnobe. Existem Marcelos e Marcelos. Que o diga meu irmão.

Um comentário:

  1. De Marcelos do bem só conheço eu, meu cunhado e o Figueiredo Pereira. Tem também alguns que não conheço pessoalmente, como Marcelo Nova, Marcelo Camelo, Marcelo Yuka e Marcelo Bonfá. O resto é de uma pobreza só: o saltitante padre Rossi, o bispo Crivella, o deputado frouxo...

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