domingo, 21 de novembro de 2010

MÍDIA GOLPISTA DEPRECIA A MULHER SOLTEIRA


OS MACHISTAS SELVAGENS NÃO GOSTAM DA MAITÊ PROENÇA, PREFEREM OUTRAS MULHERES.

Por Alexandre Figueiredo

Diante das reações furiosas que, às vezes, recebo no meu blog O Kylocyclo, de pessoas defendendo as chamadas mulheres-objeto, conhecidas também como "popozudas" ou "boazudas", dá para perceber o quanto setores reacionários e golpistas de nossa sociedade se alimenta do espetáculos de glúteos avantajados e peitos siliconados sempre à mostra, feito carne de rua, na mídia das celebridades.

Isso mostra também o quanto a mídia golpista é machista. É o outro lado da defesa machista, já que do lado dos homens, o PiG chega mesmo a tratar os criminosos passionais - que dizimaram milhares de mulheres, até mesmo com crueldade, por motivos pequenos como um mero pedido de divórcio - como se fossem "menos criminosos" do que um pequeno agricultor que deseja apenas ter um pouquinho mais de terra para plantar alimentos e ter boas escolas e serviços de saúde para sua família.

É demais. A mídia golpista chegar ao ponto de tratar criminosos passionais, que já se beneficiam por estar fora da cadeia, por conta das brechas da lei, como se fossem meros coitadinhos, é o fim da picada.

Como sobremesa, mostra o recreio pornográfico das popozudas, das mulheres-frutas às paniquetes, passando por marias-pandeiros (que namoravam ídolos de sambrega), ou por marias-chuteiras (idem para jogadores de futebol) supostamente arrependidas, que aparece em vários sítios sobre famosos e também em veículos da imprensa populista (na prática, capanga da mídia golpista no serviço de idiotização das classes populares).

O mais grave disso tudo é que a mídia golpista cria um maniqueísmo que, na prática, desmoraliza a vida de solteira da mulher brasileira. É um maniqueísmo que, de todo modo, tenta freiar, de qualquer maneira, a emancipação plena da mulher brasileira, mantendo-a numa dependência, real ou virtual, da supremacia machista que, mesmo decadente, tenta sobreviver a toda sorte de transformação vivida pela sociedade brasileira.

Esse maniqueísmo se manifesta da seguinte forma:

1. Para a mídia golpista, a mulher dotada de um comportamento mais sóbrio, discreto, inteligente e decente, necessariamente tem que estar casada ou namorando, de preferência com homens supostamente associados à ideia de sucesso e prosperidade, seja pelos atributos físicos, seja pelo status sócio-econômico.

2. A mulher solteira, por outro lado, é sempre trabalhada como a vadia que só vai para a praia, para as noitadas, para os ensaios da escola de samba, mostrando demais o corpo e, contraditoriamente, recusando toda sorte de pretendentes, enquanto "lamenta", nas entrevistas ou no Twitter, que não consegue encontrar o "príncipe encantado".

É por isso que, no país cuja top model é mulher de um jogador de futebol americano, temos esse grande contraste. De um lado, jornalistas, modelos e atrizes, conhecidas por seu charme, inteligência e beleza, são geralmente comprometidas, quase sempre com empresários ou outros homens "de sucesso". De outro, "musas" que só aparecem mostrando o corpo, e são apegadas a um ideal de "curtição" e, por isso, "não conseguem" namorados.

Essa manobra vai contra todo o sacrifício que as mulheres da vida real - vida real mesmo, não se fala de reality shows - em lutar contra a opressão masculina, ou contra as limitações que, mesmo sutis, são impostas pela supremacia machista.

Ou seja, a mulher que trabalha, estuda na faculdade, têm opiniões próprias sobre política, sociedade, artes, têm muito o que dizer e não fazem feio diante da conversa com um grupo de homens, ou mesmo com outras mulheres do mesmo perfil, só será alguém na vida quando tiver algum namorado ou marido "de sucesso".

Por outro lado, a mulher que serve aos estereótipos machistas da mulher-objeto está dispensada de viver sob a sombra de um homem. Ela tem que desempenhar, no circo midiático, o papel da "eterna solteira", que vai às boates, à praia ou às escolas de samba com seus vestidos "sensuais", com suas roupas que, por "acidente", deixam mostrar até o mamilo de um dos seios, ou o "cofrinho" (quando parte do ânus é mostrada quando alguém dá uma agachada). Moças cuja única "profissão" é "mostrar demais" o corpo.

ESQUIZOFRENIA

Pior é que essas moças se sentem ofendidas quando se fala que elas "vendem o corpo" para a mídia. Acham que sua "sensualidade" é desproposital, mas o que se vê na mídia é justamente o contrário. E acabam mostrando isso até para o público infantil, sem qualquer tipo de controle. E agravam a situação quando tentam misturar sua "sensualidade", extremamente vulgar e grotesca, com fantasias relacionadas ao imaginário infantil, como festas juninas e personagens de contos de fadas ou desenho animado.

Usam e abusam de sua "sensualidade", "pagando calcinha" ou mostrando até os mamilos dos seios "acidentalmente", essas pretensas musas do grotesco, todavia, também não gostam quando suas fotos aparecem em sítios de prostituição estrangeiros. Afinal, o que elas queriam que acontecesse, que suas fotos "sensuais" aparecessem num portal de cidadania infantil?

É uma atitude digna de esquizofrenia, afinal essas mulheres desempenham somente este papel de mostrar o corpo, sem qualquer outra função na vida, daí que ninguém pode ser culpado pela vulgaridade delas senão elas mesmas. Afinal, quando elas tentam ir além da exposição de corpos, cometem gafes, como a declaração de Solange Gomes de que odeia ler livros, manifesta junto à seu desprezo pela figura do escritor português José Saramago, quando do dia de seu falecimento.

Ou seja, por mais que apareça uma Nana Gouveia posando amarrada numa árvore, ou Solange Gomes vestida de "enfermeira sexy" ou "freira erótica", temos que aceitar como se fossem atitudes "inocentes". A "culpa" será dos fotógrafos, elas "não produzem" vulgaridade.

Como num romance kafkiano, "musas" assim são "feministas", "inocentes" e "liberadas" para o público infantil. E Valesca Popozuda aumentou seus glúteos para mostrá-los feito balões vivos, nas festinhas de aniversário da criançada. Nós é que somos "culpados", nós é que não podemos reclamar. A calipígia de plantão pode apontar seus glúteos para nossas caras e, pela vontade da mídia, temos sempre que achar que isso é a manifestação sublime de "feminismo" e da mais pura "inocência feminina".

FEMINISMO DE ARAQUE

Solange Gomes, juntamente com Nana Gouveia, Valesca Popozuda, Juliane Almeida, MC Perlla, Priscila Pires (momentaneamente substituída por sua "genérica", Anamara), são algumas das pretensas musas que só não habitam mais o imaginário masculino por que, de tanto mostrarem seus corpos, não dão chance à menor fantasia sexual masculina.

Seu público é, aliás, o machista bronco das classes C, D e E. A mídia golpista tenta desviar as tensões vividas nas classes populares com o estímulo ao instinto sexual com o "prato feito" das popozudas que mostram o corpo sem sutilezas, portanto sem qualquer estímulo à fantasia.

Aliás, seu público, por não exercitar criticamente a imaginação, já que é manipulado pela mídia golpista desde a infância, não precisa expressar qualquer fantasia, a "fantasia" já vem pronta nos jornais popularescos, nas revistas pornôs, nos sítios como o Ego, das Organizações Globo.

É até lamentável que haja quem defina a situação delas como "feminista". Sobretudo quando várias dessas calipígias se envolvem com o "funk carioca", ritmo da Música de Cabresto Brasileira (brega-popularesco) que se autoproclama "movimento social", mesmo não sendo mais do que um mero ritmo dançante e comercial de gosto duvidoso.

A principal desculpa é de que as funqueiras, sejam as famosas, sejam as fãs, "se viram na vida" sem marido e adotam uma postura negativista em relação aos homens. Evidentemente que isso não faz sentido, pois a verdadeira feminista não se nutre pelo ódio aos homens. Isso é muito vago, impreciso, e merece um texto à parte, que será em outra oportunidade.

Mas é verdade que atribuir como "feminismo" a vulgaridade feminina das popozudas, aliada ao seu "insistente celibato", é uma grande incoerência. Afinal, as popozudas e similares seguem a cartilha do machismo, são mulheres cumprindo papéis determinados pelo machismo, de exibição midiática do corpo em detrimento à sua incapacidade de se expressarem intelectualmente ou mostrar algo mais do que glúteos, seios e rebolados.

Por isso, é até ofensivo chamar moças assim de "feministas", usando como desculpa o fato delas não dependerem de homens para ganhar dinheiro ou pela suposta postura "anti-macho" ou pela "incapacidade" de obter um parceiro. Acreditar nesse "feminismo" é o mesmo que dizer que um neoliberal é "socialista" só porque ofereceu bala para um mendigo.

NA VIDA REAL, É OUTRA COISA

Enquanto a mídia golpista tenta inverter os efeitos do feminismo "distribuindo" as mulheres realmente emancipadas para o consórcio masculino dos "maridos de sucesso" e as mulheres vulgares para o "serviço" autônomo da causa machista, as mulheres da vida real, descontando aquelas que sucumbem à manipulação da mídia popularesca ou dos ideais elitistas, desprezam completamente a campanha midiática que tenta prejudicá-las.

Vemos mulheres solteiras dignas, batalhadoras, que buscam aprimorar seu conhecimento, trabalham, sustentam suas famílias, e algumas dessas mulheres são descasadas ou mesmo viúvas. Há casadas e solteiras dignas, as primeiras formando família por opção natural, as segundas tocando suas vidas de forma independente.

Por mais que a mídia golpista tente promover a mulher solteira como uma "vadia", preocupada tão somente em "mostrar o corpo" e "trabalhar dignamente (sic) sua sensualidade", recomendando as mulheres que queiram ser "alguém na vida" a ter a companhia obrigatória de um homem, a "realidade" sonhada pelos barões da grande mídia não é plenamente realizada.

Até porque mostrar o grotesco das mulheres vulgares, de um lado, e a emancipação das mulheres cultas contrastando com a sisudez de seus maridos poderosos, de outro, não é coisa muito interessante de se ver.

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