quinta-feira, 18 de novembro de 2010

FUSÕES DE PARTIDOS PODEM MEXER COM A POLÍTICA BRASILEIRA



Por Alexandre Figueiredo

Correm, nos bastidores da política brasileira, duas fusões que poderão influir no jogo de alianças e de oposição ao futuro governo Dilma Rousseff. E que também poderão causar muita confusão e muita desconfiança dentro da heterogênea base aliada que elegeu Dilma, uma frente ampla que, em si, já não é totalmente unida, entre si.

Afinal, se a base aliada conta com um partido de direita sem muita identidade ideológica, como o PMDB, também se incomoda com políticos tradicionalmente de direita alojados em partidos descaraterizados como PSB, PDT e PTB, e este com idas e vindas pró e contra as forças de centro-esquerda.

Agora, os fortes rumores de que o PPS e PSDB venham a se fundir, transformando em casamento o namoro entre os dois partidos, algo bem diferente das raízes do PPS, nascido de uma dissidência do PCB, o Partido Comunista Brasileiro. Já outra possível fusão, entre o DEM e o PMDB, pode causar um reboliço na política brasileira e um dos maiores viracasaquismos políticos da nossa história.

Afinal, não é como um político do PDC/PPB/PP que pula para o PMDB e depois vai para o PDT. Ou um demotucano que vai para o PSB, ou um tucano que vai para o PMDB. Mas é um partido inteiro, ou pelo menos, a maior parte dele, que pulará da oposição simbiótica ao lado dos tucanos para a situação no bloco dilmista, do qual o PMDB faz parte.

Isso pode causar um incômodo para boa parte dos aliados do governo petista. E há o risco de haver um conflito interno diante de tamanha surpresa política. Mesmo o DEM não migrará todo para o PMDB, evidentemente. Suas relações siamesas com o PSDB poderiam fazer até mesmo com que certos "democratas" migrem mesmo para o partido tucano.

Dentro do bloco aliado, as esquerdas se sentirão incomodadas com a adesão de antigos oposicionistas, afinal as conveniências políticas também podem comprometer o êxito das reformas sociais do governo Dilma.

Faria mais sentido se o DEM se fundisse também com o PSDB. Se o fizer, acompanhando o PPS, pode se transformar no maior partido de oposição do país, numa estrutura de pessoal compatível com o PMDB. Seria uma forma da direita, desastrada e ranzinza, demonstrar alguma esperteza.

Quanto à fusão PPS/PSDB, o blogueiro Rudá Ricci informa que o PPS mineiro não acompanhará a orientação nacional no caso dos dois partidos se unirem, preferindo seguir a orientação governista, de apoio a Dilma Rousseff. Neste caso, também haverá a tendência de debandada dos políticos mineiros do partido de Roberto Freire e Sônia Francine.

A fusão do DEM com o PMDB, por sua vez, se realizada, irá romper com a histórica reciclagem política da antiga UDN, surgida em 1946. Um dos mais marcantes partidos de direita do Brasil, aparentemente extinto pelo AI-2 da ditadura militar, sobreviveu, em princípios e principais lideranças, como ARENA, PDS, PFL e DEM. E, na prática, as forças derivadas da UDN governaram o Brasil por 38 anos, de 1964 a 2002, mesmo de forma indireta.

Na prática, o DEM não é mais do que a antiga UDN, referência até na pronúncia da sigla, nos líderes de hoje, netos dos líderes de outrora, no partido que teve de mudar de nome para manter seus princípios calcados no liberalismo.

A antiga UDN mudava de nome para manter seus princípios. Trocava os anéis para preservar os dedos. Mas sua atual encarnação, o DEM, ao se fundir com o PMDB, cortará os dedos para preservar as mãos. Só que não será a mesma coisa.

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