quinta-feira, 4 de novembro de 2010

EUA: MAIS DE US$ 600 BI NUMA ECONOMIA QUE NÃO REAGE



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Enquanto o Brasil fortalece o mercado interno, os EUA de Barack Obama sofrem crise econômica e o presidente ainda tem que amargar a derrota no Legislativo, que, embora majoritariamente aliado, sofreu o crescimento da influência republicana, ainda mais conservadora.

EUA: MAIS US$ 600 BI NUMA ECONOMIA QUE NÃO REAGE

ESTRATÉGIA BRASILEIRA DE VALORIZAR MERCADO INTERNO E UNIÃO LATINOAMERICANA COMPROVAM SEU ACERTO

Por Saul Leblon - Agência Carta Maior

Obama perdeu o controle da Câmara de Representantes cuja atual presidente, a democrata Nancy Pelosi, será substituída pelo republicano John Boehner. Sob o comando de Boehner, conservadorismo tentará reverter a reforma da saúde e avançará na agenda de cortes de impostos. Contra todas as evidencias desde o início da crise mundial, o manual da ortodoxia insiste que quanto menor for a interferencia do Estado nos mercados, mais rápida será a retomada do crescimento.

A cegueira ideológica da direita norte-americana deve levar a um alongamento da crise econômica mundial tornando mais remota a hipótese de uma reativação puxada pela demanda dos EUA.

Após a derrota na Câmara, o FED anunciou a injeção de mais US$ 600 bilhões numa economia em estado de prostração que não reage mais a estímulos convencionais. O colapso dos mercados nos EUA exigiria na verdade um aggiornamento das políticas desenvolvimentistas adotadas por Roosevelt depois de 1937, quando ocorreu a recidiva da crise de 29.

Ocorre que os EUA hoje embora detenham um sistema de amortecedores financeiros mais sólido do que na 'Depressão' dos anos 30, encontra-se desarmado de instrumentos e aparatos públicos para promover políticas de desenvolvimento, a exemplo do que fazem no Brasil o BNDES, o BB e a Caixa Econômica.

Décadas sucessivas de Reagan, Clinton e Bush explicam essa anemia operacional e política de um Estado desfibrado que terceirizou até operações militares a exércitos mercenários. A presidente-eleita, Dilma Rousseff em seu discurso na noite de 31-10, já antevia esse cenário quando advertiu que o Brasil terá que crescer agora baseado em seu mercado interno. Assume notável coerência assim a concepção de um novo modelo de desenvolvimento, pavimentado no segundo governo Lula, que tem na erradicação da miséria e na recuperação do poder aquisitivo da população um de seus eixos aglutinadores.

"Eu vou tornar essa meta de erradicação da pobreza uma meta central", repetiu a presidente eleita, em entrevista à TV Brasil. A retração internacional reforça, ainda, o acerto da estratégia brasileira que busca construir uma nova geopolítica comercial através da integração latinoamericana e de maior aproximação com os mercados emergentes da África, ademais das parcerias Sul-Sul .

O aprofundamento do impasse político nos EUA vem qualificar adicionalmente a opção de independência do Brasil em relação ao alinhamento 'carnal' com a Casa Branca, uma agenda tradicional dos demotucanos reafirmada na disputa presidencial de 2010. O candidato José Serra, como se recorda, não escondeu seu menosprezo pela política externa do Itamaraty,ademais de destilar preconceito e ignorância histórica em relação a parceria sulamericana e o Mercosul.

'ERRADICAR A POBREZA NÃO É UM ADEREÇO DE MÃO'

"Eu pretendo reajustar os benefícios do Bolsa Família e garantir os recursos para que tenham ganho real. Na concepção do projeto que eu represento, e do qual, obviamente, o presidente Lula é um dos grandes líderes, o crescimento econômico não pode ser desvinculado da melhoria das condições de vida da população. A questão social não é um adereço de mão, não é um anexo ao nosso programa, nem ao nosso governo. Eu vou tornar essa meta de erradicação da pobreza como uma meta central" (Presidente eleita Dilma Rousseff, ao Brasilianas, TV Brasil; 03-11)

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