sábado, 27 de novembro de 2010

AINDA É SÓ O COMEÇO


Por Alexandre Figueiredo

A polícia tomou conta da Vila Cruzeiro, comunidade localizada no bairro da Penha, no Rio de Janeiro.

Foi uma grande operação, que poderia ter melhor resultado.

Os traficantes que dominaram a região fugiram para o Complexo do Alemão, vizinho à localidade tomada pelas tropas.

Aliás, é um longo problema que dificulta a melhoria de vida do povo pobre.

Os políticos toleraram demais a criminalidade e ela cresceu a níveis extremos, em organizações paramilitares e violentas.

É uma organização que desafia tudo, da Constituição Federal à segurança dos cidadãos.

O narcotráfico mescla uma economia neoliberal e um regime fascista. Qualquer coisa é resolvida à bala, tal qual os grupos de tortura que o Brasil conheceu através dos tempos de chumbo da ditadura.

Gangues disputavam o poder das favelas, causando risco à vida de quem estivesse por perto.

A violência assustava as pessoas, fazia com que aqueles que pudessem ir embora assim o fizessem.

Criou-se um Estado paralelo, ilegal, que atua através do terror, que não traz vantagem alguma para a população pobre.

Mas décadas de politicagem das autoridades estaduais fez essa violência crescer, achando que era moleza dominá-la.

Agora, os governantes, de tanto se concentrarem nos interesses das elites, foram obrigados a intervir para salvar o verdadeiro interesse público.

Afinal, uma cidade não se faz com monumentos belos nem com medidas que só favorecem o conforto das elites.

Até porque, em vários episódios, a criminalidade que tanto assusta o povo pobre é a mesma que também atinge turistas e pessoas abastadas.

A violência não escolhe vítimas, vai quem estiver na frente.

Por isso, as autoridades tiveram que recorrer à tardia intervenção da polícia, numa região tratada com desprezo pelo governo fluminense e pela prefeitura carioca, mesmo em se tratando de um gigantesco complexo de favelas que vai da Penha até Manguinhos, no caminho do Aeroporto Internacional Tom Jobim ao Centro carioca.

Preferiram remediar do que prevenir o problema.

Não tinham prioridades sociais.

A prefeitura carioca só queria pintar ônibus com cores iguaizinhas em todas as empresas, além de pensar em fechar parte de uma avenida para transformá-la num parquinho para famílias riquinhas.

Parquinho que, de noite, serviria de "dormitório" para mendigos e marginais.

Mas a intervenção policial também contou com o apoio dos moradores.

É o anônimo movimento popular, cansado de tanta insegurança. E que, do contrário que se imaginava, não estava conivente com a violência. Apenas tinha que aguentá-la, sob a ameaça das armas. Mas agora começa a reagir, com as denúncias anônimas.

Em todo caso, a Vila Cruzeiro foi ocupada pelos policiais. Mas isso ainda é só o começo.

Ainda é preciso outros combates para que a criminalidade tenha seu fim definitivo.

A hora ainda não é de comemorar, mas de agir. E das autoridades passarem a investir também na desfavelização, na reurbanização dos subúrbios, através da construção de milhares e milhares de casas populares.

O interesse público não pode ser apenas pretexto de promessas, mas prioridade nas medidas governamentais.

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