quinta-feira, 14 de outubro de 2010

REVISTA VEJA É CONTRA OS TRABALHADORES



Por Alexandre Figueiredo

ara a blogosfera progressista, o título acima parece chover no molhado, é a coisa mais óbvia do que se pode falar a respeito da revista Veja.

Mas nem sempre todos têm essa ideia. Mesmo a classe média comum, aquela que lê a revista Veja nas barbearias e nos salões de beleza, não tem a menor noção do caráter maligno que é um dos principais periódicos do Grupo Abril, que conta com participação acionária de uma entidade fascista ligada aos trevosos tempos do apartheid na África do Sul.

Quando meu pai assinava Veja, nos anos 90, acabamos conhecendo esse lado sombrio, que andava adormecido, não despertava desconfiança. A mídia conservadora, assumida mesmo, era apenas Globo e Estadão, pois até a Folha havia conseguido ocultar seu passado pró-ditatorial - colaborando sobretudo para a OBAN/DOI-CODI no empréstimo de viaturas para transportar presos políticos - e vendia uma imagem falsa de periódico "vanguardista" e, pasmem, "de esquerda".

E Veja, nessa época, era apenas um jornal conservador que setores da dita "opinião pública" classificavam como "inofensivo".

Mas Veja começou a pegar pesado nos ataques aos movimentos sociais, esculhambando até mesmo os povos indígenas. Veja passou a defender uma mentalidade totalmente alienada, porque se relaciona com a submissão do Brasil ao capitalismo dos EUA, o que é uma alienação da soberania nacional, um verdadeiro atentado à Constituição, que garante a soberania como um dos princípios maiores de nossa nação.

Veja, nessa sua conduta antisocial, vai também contra os interesses dos trabalhadores, e dois exemplos posso citar para que os leigos tenham conhecimento da gravidade que é a linha editorial do periódico da Editora Abril.

O primeiro exemplo é quando Veja fala de desemprego. Isso foi notado em várias edições, nem preciso dizer quais, mas indo para um sebo para ver as edições da revista Veja na segunda metade dos anos 90, já dá para pincelar um e outro exemplo, todos contundentes.

Veja é insensível aos trabalhadores. Acha que o desemprego, as demissões em massa, são um fenômeno natural do crescimento econômico em geral e empresarial em particular. Em vários de seus artigos, a demissão dos trabalhadores é vista como um aspecto positivo, e a desculpa utilizada por seus jornalistas é de que o trabalhador pode arrumar um novo emprego ou montar um negócio com o salário ganho até um mês depois da demissão (a lei determina que o trabalhador que sair do emprego tenha mais um mês de remuneração).

Além disso, o cinismo de Veja apela para a utópica possibilidade dos trabalhadores aprenderem novas habilidades, dentro daquele conceito neoliberal de multiplicidade de funções e habilidades. De fato, o trabalhador se evolui e adquire habilidades, mas não dessa forma selvagem que a teoria da "flexibilização do trabalho" defende.

Afinal, até para um simples operário conseguir desenvolver novas aptidões, é um grande caminho. E nem todos os cursos são gratuitos, assim como o salário do proletariado é quase sempre difícil para ser usado num novo negócio.

A insensibilidade de Veja demonstra que, para seus editores, é muito fácil o proletário perder o emprego, fazer novos cursos e arrumar outro. Como se não houvesse dificuldades para tal. É uma visão tecnocrática, porque, pela tecnocracia, todo mundo pode resolver tudo num passe de mágica, o que não é tão simples assim. A vida é complexa, na prática cotidiana.

O segundo exemplo é quanto a carga horária de trabalho. Veja defende uma carga horária cada vez maior. Sua tese é que, quanto mais se trabalha, mais a economia se desenvolve. Uma tese que se aproxima mais dos primórdios da Revolução Industrial, quando não havia as garantias trabalhistas que hoje temos e os patrões faziam o que queriam com seus empregados.

Veja condena os movimentos trabalhistas até mesmo na sua reivindicação de menor jornada de trabalho. Veja quer cargas horárias maiores, e tenta dar justificativas "racionais" para isso. Outra tese tecnocrática.

Por isso Veja se destacou como o mais antisocial veículo da mídia golpista. É certo que Globo e Folha aprontam das suas, mostrando-se bastante retrógradas, reacionárias e até anti-profissionais, mas Veja é a mídia golpista levada às últimas consequências. Apesar do nome, trata-se de um periódico cego, de uma cegueira não a de quem não pode ver, mas a de quem não quer ver.

Por isso é que Veja se tornou um dos periódicos mais decadentes da grande mídia. Ainda vende muito e tem uma tiragem surpreendente, mas já perde leitores - até minha família há muito não assina mais Veja - e sua credibilidade está cada vez mais em baixa.

Um comentário:

  1. Tenho um colega professor que trabalhou na Abril no setor de encadernamento. As máquinas eram não tão modernas, mas a produção era cobrada, o estresse muito grande. E o salário, obviamente baixo. A revista sempre teve uma visão 'meritocrática' da sociedade, mas ela mesma se desmente nas vendas sem licitação, para os governos tucanos, de revistas

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...