sexta-feira, 29 de outubro de 2010

PRÊMIO A ÁLVARO URIBE CAUSA INDIGNAÇÃO



Por Alexandre Figueiredo

Na tarde de anteontem, em Madri, o presidente colombiano Álvaro Uribe esteve presente para receber o prêmio "La Puerta del Recuerdo", concedido pelo Observatório Internacional de Vítimas do Terrorismo da Fundação Universitária San Pablo CEU.

A premiação causou revolta entre os vários movimentos sociais da Colômbia e de outros países, e uma campanha foi feita para que o prêmio não fosse entregue a Uribe.

A revolta é motivada pela acusação de que Uribe é responsável por diversos crimes contra a humanidade, por escutas ilegais do serviço secreto colombiano e por ofensivas ilegais realizadas contra integrantes da Corte Suprema de Justiça e contra jornalistas, membros da oposição e integrantes de ONGs defensoras dos direitos humanos.

Um manifesto foi lançado por várias organizações localizadas dentro e fora da Colômbia, entre as quais a Plataforma Bolivariana de Madrid, Ecologistas em Ação, Casapueblos, Rede Capicua, Rede de Irmandade e Solidariedade com a Colômbia, Comitê Oscar Romero Madrid e ACSUR-Las Segovias. Um trecho do manifesto acusa Uribe de envolvimento com grupos paramilitares:

"Baseamo-nos nos comprovados vínculos de Uribe Vélez com grupos paramilitares e de narcotraficantes, com seu histórico que lhe compromete ao longo de sua carreira política com a realização de numerosas estratégias e campanhas de guerra suja contra organizações sociais, máximo responsável político e operativo de assassinatos políticos, detenções-desaparições, genocídios, massacres, torturas e deslocamentos forçados, cometidos pelas forças armadas (...)"

O manifesto, que considera Álvaro Uribe Vélez persona non grata, conta, entre outros signatários, o Prêmio Nobel da Paz, argentino Adolfo Perez Esquivel e a coordenadora do Jubileu Sul, Beverly Keene, além de artistas, intelectuais, acadêmicos, políticos de esquerda e outros.

Também na última quarta-feira foi realizada uma vigília em frente ao Cassino de Madri, onde foi entregue o prêmio a Uribe, protesto feito em memória às vítimas da violência política da Colômbia.

Outro político, o ex-primeiro ministro espanhol José Maria Aznar, também premiado por "La Puerta Del Recuerdo", hoje presidente da Fundação para a Análise e os Estudos Sociais (Faes), também causou indignação. Além disso, Aznar, aliado do ex-presidente dos EUA, George W. Bush, foi considerado pela revista Foreing Policy como um dos piores governantes do mundo.

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