domingo, 31 de outubro de 2010

MEU VOTO VAI PARA DILMA



Por Alexandre Figueiredo

Não sou petista de carteirinha. Sou esquerdista, mas vejo os partidos de esquerda de forma crítica, afinal é muito complicado ser de esquerda num país constitucionalmente reconhecido como capitalista, que é o Brasil.

Quase não ia votar em Dilma, mas decidi votar. Por exemplo, ainda continuo vendo com estranheza a inclusão de Michel Temer como vice de Dilma. Mas, vá lá, ainda que continue discordando.

Votei no primeiro turno e votarei no segundo. Farei meu voto crítico, mas é inegável também que reconheço no governo Lula seus grandes méritos.

Lula não fez um governo revolucionário, mas fez um governo reformista de oito anos. Fortaleceu a economia nacional, de fato. Fez o Brasil tornar-se confiável diante das autoridades internacionais. Influenciou na consolidação do Mercosul, diminuiu as desigualdades sociais.

É claro que, perto do que João Goulart prometia fazer em 1964, Lula fez um governo moderado. Mas, de fato, o governo Lula, mesmo com seus descaminhos e mesmo com o preço de uma gigantesca base de apoio, nem sempre confiável - um Marcos Valério ou Valdomiro Diniz apareceram para estragar a festa, fora os apoios oportunistas de Maluf, Sarney e Collor - , conseguiu avançar diante do retrocesso do governo FHC.

Os oito anos do governo FHC foram apenas bem sucedidos na política financeira. Mas até a estabilidade da moda se deu mais para conquistar a confiança dos investidores do que para favorecer a sociedade, já que a Era FHC não se voltava para os interesses sociais, pela razão ideológica do neoliberalismo adotado pelo PSDB pós-Montoro e pós-Covas.

O governo Lula representou, portanto, inegáveis avanços no plano social. Eu, pessoalmente, acho discutíveis medidas como Bolsa Família e cotas para universidades, porque são paliativos. Mas, como medidas emergenciais, fazem sentido. Pelo menos, outras medidas que permitam reduzir o analfabetismo e a miséria também estão sendo feitas.

Pode não ser um governo perfeito, o de Lula, assim como o PT pode não ser o partido dos sonhos do nosso Brasil. Tanto que o Partido dos Trabalhadores, nos seus 30 anos, tornou-se uma grande Torre de Babel em que os vários grupos fundadores nem sempre se entendiam, e que, ao longo dos anos, partiram para dissidências diversas através de novos partidos.

No entanto, qual é a outra alternativa viável, dentro das condições legais e sociais de nosso país? Temos que avançar em alguma coisa, seguir um caminho. O PT demonstrou, mesmo com suas imperfeições, que oferece esse caminho, rompendo com 38 anos de governos pós-udenistas, de Castelo Branco a Fernando Henrique Cardoso.

Prefiro ser esquerdista. Ser ideologicamente neutro, querendo ser cético em tudo, duvidando até do inocente pássaro joão-de-barro construindo sua casinha. Acredito nos movimentos sociais, na legitimidade da UNE, do MST, do PNDH-3, etc. Tenho uma visão crítica, afinal ninguém é santo. Mas qualquer coisa que é feita para acertar e para atender aos interesses públicos autênticos, é sempre benvinda.

Por isso, pode ser que eu não queira o Brasil governado pelo PT a vida toda. Mas o momento é de continuar o caminho do progresso, através de Dilma Rousseff. Meu voto é crítico, mas voto com fé no Brasil.

Um comentário:

  1. O amigo Alexandre Figueiredo eu conheço há dez anos, quando comecei a usar a Internet em casa e conheci o seu portal Preserve o Rádio AM, que na época ainda não era um blog. Alexandre é um progressista autêntico e parceiro em causas como a preservação do rádio AM (com o consequente combate ao rádio "AM no FM") e a retomada da índole cultural do rádio FM. Também tive oportunidade de conhecer pessoalmente o próprio Alexandre e o seu irmão Marcelo Pereira.

    Tanta afinidade poderia fazer com que leitores de blogs como Mingau de Aço, O Kylocyclo, Brasil, um País de Tolos, Kiss FM 91,9 Rio de Janeiro e o já citado Preserve o Rádio AM pensem que nós concordamos em tudo, ou que talvez sejamos a mesma pessoa usando identidades falsas. Só que estas suposições não correspondem à verdade.

    Se o autor do Mingau de Aço fosse alguém que eu não conhecesse, poderia se supor que se tratasse de alguém conformado com a superação do consórcio demo-tucano e com esse consórcio de partidos de esquerda (PT à frente de partidos fisiológicos da esquerda) com partidos fisiológicos da direita (PMDB à frente). Pronto. Todos os problemas do país se resolveriam num passe de mágica.

    Se eu não conhecesse o amigo Alexandre, provavelmente o autor do Mingau de Aço mereceria uma contundente mijada no blog Brasil, um País de Tolos.

    Mas não. Alexandre é gente do bem. Ele há de fazer cobranças desse governo dilmista que está chegando. Tem credibilidade para espinafrar o superfaturamento do governo dilmista nas obras da Copa 2014 e das Olim Piadas 2016, algo inevitável. Aliás, o Alexandre foi um dos primeiros a criticar os dois malfadados projetos. E Alexandre há de continuar a criticar os projetos do prefeito dilmista Eduardo Paes, uma das razões que me levam a não confiar nesse projeto petista-PMDBista de poder.

    Só que o amigo terá que reconhecer que estamos em estágios diferentes no espectro político. O amigo está nessa de "apoio crítico" ao Governo. Eu estou em um estágio adiante.

    O neoliberalismo demo-tucano é o passado, o petismo é o presente e o nacionalismo é o futuro.

    Como não estou representado nesse atual espectro eleitoral, peço encarecidamente que me mantenha fora disso tudo.

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