segunda-feira, 18 de outubro de 2010

JOSÉ SERRA, UM CANDIDATO SEM CARISMA



Por Alexandre Figueiredo

Até agora, em que pese o apoio de setores conservadores da sociedade, sobretudo de uma classe média alta querendo proteger seus privilégios, José Serra demonstrou que é um político sem carisma, sem simpatia, sem qualquer virtude que o faça um grande vencedor.

Defensor de um país que não faz sentido, o candidato do PSDB não consegue disfarçar sua aparente aridez de propostas, que por sua vez esconde valores retrógrados, como se fosse uma tradução ainda pior do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o seu colega de partido.

O PSDB sempre foi um partido conservador, associado ao neoliberalismo. Mas, em outros tempos, pelo menos tinha algum charme e alguma compostura, graças a figuras como Mário Covas e André Franco Montoro, integrantes da ala política que apoiou Tancredo Neves como candidato à Presidência da República, em 1984. Era um partido elegantemente conservador, com suas convicções liberais, mas com alguma postura mais respeitosa.

Outro aspecto era que o PSDB tinha um quê de moderno. Era um conservador moderno, no sentido de que acenava para um Brasil tecnocrático, desenvolvimentista até certo ponto, porque pouco se inclina para atender às reivindicações sociais populares. Mas pelo menos era um conservadorismo mais respeitoso, de um paternalismo gentil com a sociedade.

Já o PSDB de hoje é um partido arrogante, grotesco, bruto, que de tão reacionário e desesperadamente conservador, mostrou-se que, se nunca teve a ver com o projeto social-democrático que dizia defender, agora é que nem em tese, nem na pose, os tucanos seriam social-democratas.

Neste sentido, até o PT tornou-se mais social-democrata do que o PSDB. Os tucanos preferiram tornar-se politicamente irmãos do Partido da Frente Liberal, partido que herdou o projeto político do PDS de tal forma que pode-se dizer que é uma reencarnação do antigo partido. Que, por sua vez, foi reencarnação da ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e esta, da UDN (União Democrática Nacional), cuja sigla e nome soam tão sonoros e ameaçadores quanto o atual DEM, atual encarnação da linhagem UDN-ARENA-PDS-PFL.

Com essa parceria, que governou o Brasil durante oito anos, o PSDB se transformou no maior símbolo da política neoliberal do país. Símbolo de um projeto político e econômico excludentes, cuja perspectiva tecnocrática só fez mostrar, com o tempo, desastres como o trágico acidente com a plataforma P-36 da Petrobras, o apagão da energia elétrica e até mesmo o comentário irônico de Fernando Henrique a respeito dos aposentados, chamados de "vagabundos".

Por isso, a crise da Era FHC fez com que o desgaste político tucano aparecesse e crescesse, enquanto o PSDB se sustenta por governos municipais ou estaduais em localidades como São Paulo, sempre a serviço das classes conservadoras que querem um progresso só para elas.

Enquanto isso, José Serra, um discreto ex-líder estudantil, o último antes do golpe de 1964, ex-esquerdista hoje bem acomodado na direitona, mostra-se um político sem simpatia, sem grandes projetos, reacionário, arrogante e que não aceita perguntas delicadas de jornalistas, o que piora para o lado dele. Pois, se até jornalistas conservadores como Heródoto Barbeiro e Miriam Leitão sofreram pela arrogância de Serra, é sinal que a coisa piora mais ainda para o lado do tucano.

Dessa forma, José Serra tornou-se um candidato sem carisma. Sem simpatia, sem humildade, sem autocrítica, sem propostas. Só serve para expressar os interesses retrógrados de setores sociais que estão temerosos com as mudanças sociais que acontecem em nosso país.

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