sábado, 16 de outubro de 2010

ESCREVENDO PARA O LUÍS NASSIF



Por Alexandre Figueiredo

Escrevi uma resposta para o tópico Raio-X da História: o derrame de Costa e Silva, do blog de Luís Nassif:

Na visão dos militares, o então presidente-general Arthur da Costa e Silva pretendia dissolver o AI-5 e promover, já em 1969, a abertura lenta e gradual do regime militar. É uma ideia bastante polêmica, afinal 1968 havia encerrado com o agravamento das tensões políticas que obrigaram os militares a serem mais enérgicos contra a população.

As tensões sociais também ocorriam em outros países, vide os vários episódios relacionados direta ou indiretamente com a Contracultura, que foi uma série de movimentos sócio-culturais que pretendiam transformar a humanidade como um todo e que teve um forte tom político, mesmo numa simples expressão de humor.

É só verificarmos os fracassos que a Contracultura enfrentou no mundo, fruto de diversos fatores imprevistos ou mesmo dos erros da sonhadora juventude da época (que, por outro lado, também teve seus méritos e acertos, cujos efeitos só vieram ao longo dos anos).

Em 1968, houve a prisão e o julgamento dos manifestantes da Nova Esquerda, em Chicago, nos EUA, depois de uma manifestação bem humorada que incomodou os organizadores da Convenção do Partido Democrata, naquela famosa cidade dos EUA. Houve o abandono do movimento operário francês no apoio ao movimento estudantil, devido a uma manobra do presidente Charles De Gaulle que aparentemente beneficiou o proletariado.

Houve também o massacre de Tlatelolco, no México, que dissolveu tragicamente uma manifestação de protesto pacífico contra o governo. Houve a invasão dos tanques soviéticos em Praga, na antiga Tchecoslováquia, que desfizeram um governo democrático de esquerda naquele país. E o nosso AI-5, que nem precisamos detalhar.

Juntando isso tudo ao massacre promovido pela "família" Manson em 1969, que foi um prato cheio para o reacionarismo moralista que quis promover toda a juventude como se fosse igual àquele grupelho de psicopatas fanáticos, a Contracultura não pôde realizar de imediato suas conquistas. Acho até que os anos 80 foram mais significativos para a assimilação de muitos avanços sonhados pela juventude não só hippie, mas beatnik, hipster, yippie, tropicalista, entre outras facções sociais.

Por isso é um grande mistério esse desejo de abertura política dos militares. Há quem acredite que Castelo Branco também desejava a abertura política. O governo militar era a princípio anunciado como "provisório", mas sua longevidade é estranha tanto quanto às forças que a queriam assim como as forças que desejavam a abreviatura da ditadura no Brasil.

Uma coisa é certa. A elite militar não era homogênea. Nem todos os militares queriam a ditadura. Posso dizer de meu pai, que, como militar, nunca se envolveu, sequer de forma indireta, em qualquer atividade vinculada aos interesses ditatoriais, tendo se limitado a trabalhar como um servidor comum e legalista, como qualquer um trabalharia num regime democrático.

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