domingo, 20 de abril de 2014

MICHAEL SULLIVAN E A "BREGUESIA" DA MPB


Por Alexandre Figueiredo

Tornou-se um mito, espalhado de forma epidêmica pela intelectualidade "bacaninha", que o brega sofria o tal "preconceito" das elites. Mas o brega, de Waldick Soriano a MC Guimê, nunca teve uma rejeição rigorosa das elites, sendo na verdade um grande blefe desses intelectuais festejados.

Eles nem conseguem explicar direito se quem rejeita o brega é mesmo uma maioria ou uma minoria. E não conseguem explicar se as madames aceitam ou não o brega. E toda essa choradeira, na verdade, se dá por conta de uns dois ou três críticos musicais ou acadêmicos que realmente se manifestam contra as breguices que fazem sucesso nas rádios e TVs.

As elites sempre aceitaram o brega. Hoje temos Valesca Popozuda no São Paulo Fashion Week, mas ontem tivemos Waldick Soriano tocando em casas noturnas chiques e tendo um caso com a socialite Béki Klabin. Os mais ricos condomínios hoje tocam "sertanejo", axé-music, "funk" e forró-brega, enquanto as zonas mais respeitáveis das roças evitam tudo isso e tocam música caipira de verdade.

Hoje as elites que julgam "entenderem tudo" de MPB estão aceitando até o bregalhão Michael Sullivan como "gênio injustiçado da MPB". Agora músicas constrangedoras como "Deslizes", "Talismã" e "Um Dia de Domingo" são "clássicos da MPB". A repentina adesão "espontânea" das elites ao repertório de Sullivan & Massadas representa, todavia, mais um problema para nossa cultura.

MICHAEL SULLIVAN FOI UM DOS CHEFÕES MUSICAIS APOIADOS PELAS ORGANIZAÇÕES GLOBO.

NEM AS ELITES CONSEGUEM ENTENDER O QUE É MESMO MPB

Afinal, esse "reconhecimento" das elites a Michael Sullivan nem de longe pode ser um reconhecimento justo a um artista menosprezado, mas, na verdade, um reflexo de como a impunidade se reflete também no âmbito cultural.

Michael Sullivan quis destruir a MPB, de acordo com denúncias divulgadas por Alceu Valença que, mesmo sem dizer nomes, deu as informações que encaixam perfeitamente no esquema jabazeiro comandado por Sullivan e Miguel Plopschi quando eram produtores executivos na antiga RCA, nos anos 80.

Segundo Alceu, o esquema de Michael Sullivan tinha como propósito enfraquecer artistas do porte de Alceu, Chico Buarque e até Fafá de Belém para botar "novos talentos" no lugar, mais submissos à indústria de canções comerciais de Sullivan e Paulo Massadas.

É estarrecedor que hoje Michael Sullivan volte abraçado por uma elite supostamente sofisticada, porém paternalista, que agora acolhe o que as empregadas domésticas ouviram nas emissoras de rádio controladas por oligarquias político-empresariais apadrinhadas por José Sarney e Antônio Carlos Magalhães.

Michael Sullivan estava a serviço de multinacionais, era patrocinado pela Rede Globo, tinha interesses puramente mercantilistas. Mas hoje ele, esperto como um político em campanha, aparece abraçado a Sérgio Ricardo, Fernanda Takai, Roberta Sá, Os Cariocas e Arnaldo Antunes, naquele mesmo esquema de "morde e assopra".

Vá ele apoiar Sérgio Ricardo nos anos 80. Impossível. Sérgio, que nunca teve o devido espaço de divulgação na mídia, teria que fazer arremedos de baladas soul, pasteurizar os arranjos com excesso de sintetizadores e gravar as rimas pobres criadas por Sullivan e Massadas e que a plateia de incautos pensa ser "clássicos da MPB".

MPB NÃO É COUVERT ARTÍSTICO

Talvez essa adesão das elites "esclarecidas" a Michael Sullivan se deva à sua noção equivocada sobre o que é MPB. Se temos uma corrente que acha que "verdadeira MPB" é todo aquele que lota plateias com facilidade, podendo ser até "mulher-fruta" do "funk", há outra que fala na "boa MPB" de crooners de restaurante, que fazem o tão conhecido couvert artístico.

É uma elite com maior poder aquisitivo e maior capacidade de digerir cultura, mas que prefere ser a burguesia brega e esnobe, um brega-chique de uma "breguesia" que se acha convencida e entendedora de tudo, mas que só quer saber da "boa música" que reconstitua aquele clima consumista dos restaurantes e boates.

Paciência. Poucas pessoas realmente ouvem música neste país. As pessoas ficam bebendo, lavando carros, conversando com amigos, jogando baralho, ninguém fica parado para realmente escutar música. E mesmo gente com nível superior nem tem noção exata do que é boa música, do que é uma boa poesia, sua noção sobre Música e Literatura é vinculada ao que há de banal na TV aberta.

E fala-se de um público mais abastado, dito "esclarecido". Que vai no Facebook e, feliz da vida, vai recomendar uma música de Michael Sullivan - para não dizer outras breguices; já começam a empurrar, por exemplo, Alexandre Pires e Zezé di Camargo & Luciano - para outros membros da comunidade sobre MPB.

Isso mostra o quanto está a cultura de nosso país. E que é uma herança da ditadura militar e seus efeitos diretos ou indiretos. Ou mesmo da influência dos EUA da Era Reagan que pauperizou os estadunidenses e, introduzido no Brasil nos anos 80, gerou toda a breguice que eclodiu nos anos 90 e que hoje nossas elites "tão cultas" acham o máximo de "requinte e sofisticação".

É bastante perigoso. Afinal, Michael Sullivan é um compositor medíocre, um cantor de terceira categoria, mas que agora recebe um tratamento vip como se fosse o "novo Tom Jobim". É preocupante, vide sua trajetória perversa de empastelar a MPB e promover a decadência gradual de nossos maiores artistas.

Querer que Michael Sullivan seja o "cavaleiro da Esperança" da MPB autêntica é apostar na memória curta e deixar que um sujeito que quis acabar com a MPB se aproprie de sua recuperação. É como deixar o galinheiro aos cuidados de uma raposa, o que trará um prejuízo certo à nossa MPB autêntica, sem espaços, sem grande público e, ainda assim, à mercê de oportunistas como Sullivan.

sábado, 19 de abril de 2014

BREGA FORÇA A BARRA AO TENTAR SE ASSOCIAR A ALTERNATIVOS

ANDERSON (GRUPO MOLEJO), LUIZ CARLOS (RAÇA NEGRA) E COMPADRE WASHINGTON (É O TCHAN) - Mercado força a barra para empurrar bregas ao público alternativo.

Por Alexandre Figueiredo

O jabaculê do brega-popularesco não encontra limites. Ele já não vai mais pelo caminho tradicional de subornar radialistas e vai muito longe, tentando empurrar seus ídolos goela abaixo para o público alternativo, querendo conquistar públicos mais conceituados "na marra".

O exemplo de Odair José foi um dos primeiros casos, mas pelo menos era verossímil, pela roupagem "roqueira" que, bem ou mal, tinha ele, com seu visual "psicodélico" banalizado. No fundo ele sempre esteve próximo do conservadorismo de um Pat Boone, mas ainda fazia algum sentido, por pior que seja, na tentativa de empurrar Odair José para o público alternativo.

Já o "funk", o "pagode romântico" e o "pagodão baiano", não. São ritmos que vão fundo ao grotesco e representam o oposto de tudo aquilo que o público de cultura alternativa acredita. Mas foram beneficiados por uma blindagem intelectual patrocinada pelo mercado e pelos barões da grande mídia - apesar da infiltração nos meios progressistas - e seu discurso bastante confuso e persuasivo.

E aí o resultado é esse: tributo "indie" do Raça Negra, camisetinha do Molejo com estética dos Ramones e agora uma montagem que junta a voz do Morrissey em "This Charming Man", dos Smiths, com samples do É O Tchan e da Banda Eva.

Para piorar, as três iniciativas são lançadas como "sérias". Quando muito, "seriamente divertidas", das quais "não" se recomenda qualquer gargalhada. Em outras palavras, nem mesmo as duas últimas medidas, a do Molejo e a do É O Tchan (esta por iniciativa do DJ Bertazi), podem ser vistas como piadas. Tudo é "cultura séria", como prega a intelectualidade "bacana" do nosso país.

Isso se torna o ponto extremo de toda a medida desesperada dos empresários de brega-popularesco em querer ampliar público e mercado de seus ídolos da bregalização. Não medem escrúpulos em comprar o apoio de sindicalistas a professores de pós-graduação, numa estratégia de jabaculê cada vez mais requintada, para compensar a péssima qualidade musical de seus clientes.

Isso é muito grave, porque se torna uma atitude bastante demagógica. Enquanto os defensores da música brega e seus ritmos derivados reclamam da falta de espaços e da intolerância contra eles, eles querem ocupar os espaços dos outros e não toleram a existência de espaços em que eles não possam invadir e criar reservas de mercado.

Nos EUA, o pop comercial possui suas próprias reservas de mercado, seus próprios espaços e, se ele quer tomar os espaços dos outros, é através de mercados de outros países. Mas pelo menos isso ocorre sempre dentro de um contexto de comercialismo e mercado hit-parade, ninguém vai ficar bancando o vanguardista e invadir na marra mercados que não são de sua afinidade.

Já no Brasil a música brega-popularesca (ou Música de Cabresto Brasileira), o nosso hit-parade, não se contenta em manter um mercado que já é hegemônico o suficiente para seus ídolos. Daí que, nos últimos dez anos, seus empresários recorreram a uma campanha que teve o apoio de universidades públicas a veículos de mídia como a Rede Globo e a revista Caras, em busca de mais mercados.

A coisa é tão grave que hoje não temos mais cenário de MPB autêntica em boa parte das regiões brasileiras. E quase não temos mais artistas populares com a visceralidade de Jackson do Pandeiro, Cartola e Luiz Gonzaga, ou a modernidade de um Jorge Veiga ou Miltinho.

Enquanto isso, o que nos resta de sambas, baiões, modinhas nas lembranças do grande público estão associados mais a especialistas, memorialistas e apreciadores de elite. O nosso rico patrimônio cultural brasileiro virou coisa de museue e de mansões.

A MPB autêntica que ainda resiste é quase toda de artistas idosos. E, se nas artes cênicas, vemos um José Wilker morrer de repente aos 67 anos incompletos, é sinal que a coisa está grave. E, para piorar, nem mesmo os cenários de cultura alternativa têm direito a uma expressão livre da breguice, pois se até as maiores aberrações da cafonice cultural tentam invadir seus redutos.

Parece aquela coisa da Margareth Thatcher: "Não existe alternativa". E Morrissey não gostava da falecida premier britânica. Da mesma forma, o cantor inglês também não gostaria do que um DJ brasileiro fez com sua voz, misturada com É O Tchan.

Mas o É O Tchan já se encontra dentro dos parâmetros sócio-culturais sonhados por Margareth Thatcher e Ronald Reagan, os artífices da "década perdida" dos anos 80 britânico-estadunidenses, que serviram de fonte para os "longos anos 90" que até agora não terminaram no Brasil. Com toda sua breguice hegemônica e próxima ao monopólio.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

RIO DE JANEIRO VIROU ESTADO ULTRACONSERVADOR?


Por Alexandre Figueiredo

Analisando as mídias sociais e comunidades diversas sobre cultura, mobilidade urbana, rádio, televisão e futebol, uma constatação pode vir à tona: o Rio de Janeiro está virando um Estado muito conservador.

É no Rio de Janeiro que há uma quantidade expressiva e preocupante de internautas que se contenta com o "estabelecido", tem uma defesa apaixonada e até intransigente da mediocridade sócio-cultural, e reage muitas vezes de forma agressiva e até violenta contra quem discorda de seus pontos de vista "pragmáticos".

O Rio de Janeiro sofre com uma política que estabeleceu relações promíscuas com a contravenção, nos anos 80, e o paramilitarismo, nos últimos anos, e tem uma mídia que segue uma orientação ainda mais conservadora que a de São Paulo, já bastante conservador.

São Paulo, porém, pelo menos possui um público expressivo de forças progressistas e uma opinião pública mais questionadora, já que pessoas assim são minoria no Rio de Janeiro. São Paulo tem seus "urubólogos", mas lá é sede do primeiro grupo de mídia progressista organizado, o Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Já no Rio de Janeiro o conservadorismo que contagia até um público "roqueiro", adepto da Rádio Cidade, se expressa de tal forma que é capaz de deixar até Carlos Lacerda de queixo caído, se ele vivo fosse, lá pelos seus 100 anos de idade. Ou que deixaria até Lobão, o roqueiro vertido à direita mais convicta e reaça, mais perplexo.

O reacionarismo também faz o fã-clube de Ali Kamel, Merval Pereira e Jair Bolsonaro e até mesmo no sistema de ônibus já surgiu busólogo de extrema-direita, defendendo o fardamento das empresas de ônibus (pintura padronizada) e apoiando Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho em tudo que eles decidiam sem qualquer consulta à população.

Mas há também os chamados "futebosteiros", fanáticos intolerantes de futebol, que chegam a fazer bullying contra quem não aprecia o esporte e ainda reclama das gritarias que os torcedores fazem durante as partidas esportivas, mesmo as realizadas à noite. E há os fanáticos do Jornal Nacional, Caldeirão do Huck, Domingão do Faustão, Globo Esporte e até do Big Brother Brasil.

Na Internet, a trolagem, sobretudo de cariocas, chegou ao ponto de fazer ameaças de morte e de estupro, além de comentários violentamente zombeteiros, à deputada federal Jandira Feghali, do PC do B fluminense, porque ela entrou em ação na Procuradoria-Geral da República pedindo a suspensão de verbas do Governo Federal para o SBT Brasil apresentado por Rachel Sheherazade.

Apesar de ser uma nordestina radicada em São Paulo, Rachel havia feito um comentário defendendo a violência de justiceiros contra um menor pobre acusado de pequenos roubos. Embora seja um comentáiro bastante reacionário e impopular, ele atrai uma série de adeptos marcados por um moralismo doentio.

Os reacionários do Rio de Janeiro podem não ser, rigorosamente, uma ampla maioria, mas a quantidade deles preocupa, variando da mobilidade pública à cultura pop-rock, passando pela bregalização cultural, pelo jornalismo sensacionalista e outros aspectos, geralmente defendendo o "estabelecido" pela política, pela mídia ou pela indústria do entretenimento.

E o "funk"? Sim, ele também tem seus reacionários. O próprio "funk" é reacionário, apesar de insistir em trabalhar uma imagem contrária. O "funk" impede o povo pobre de desenvolver uma cultura mais forte, proibindo jovens de aprender um violão, compor melodias e defender valores sociais mais edificantes, deixa o povo pobre refém de sua própria pobreza.

Preocupa esse reacionarismo no Rio de Janeiro, com pessoas que preferem defender interesses político-econômicos por trás de fórmulas "estabelecidas". E que chegam a fazer ameaças, difundir ofensas na Internet entre tantas outras coisas. Um pessoal que defende o atraso, mesmo travestido de falsas novidades do rádio e TV, e que não aceita discordâncias.

Eles nem pensam no progresso. Pensam no tal "sucesso econômico", que os faz defender a mediocridade mais rasteira, reagindo furiosamente a quem discordar de suas crenças e projetos. Assim, o Rio de Janeiro, Estado litorâneo no Brasil, como a Califórnia nos EUA, ameaça ser um Estado tão ultraconservador como o também estadunidense Alabama.

Pena. O Rio de Janeiro, Estado lindo de sua gente admirável, corre o risco de ser corrompido por causa de umas turmas de reacionários intolerantes. O Rio de Janeiro periga virar o "Calibama", misto de Califórnia com Alabama. A não ser que possamos agir a tempo de desmascarar os reaças.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

AOS 87 ANOS, MORRE O ESCRITOR COLOMBIANO GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez, um dos maiores nomes da literatura latino-americana e famoso por sua obra Cem Anos de Solidão (que eu li em 1996), perdeu a batalha contra um câncer ao agravar a doença contraindo pneumonia e sofrendo infecção respiratória. Nobel de Literatura em 1982, Gabriel também era jornalista e tinha quase 60 anos de carreira literária. Era também considerado um dos maiores escritores de língua espanhola do mundo.

Gabriel encerrou sua carreira literária lançando o livro autobiográfico Viver para Contar, de 2002. Anunciou oficialmente sua aposentadoria em 2009. Entre seus filhos, está o diretor de cinema Rodrigo Garcia, que ficou conhecido por dirigir episódios dos seriados Família Soprano e A Sete Palmos (One Tree Hill).

Aos 87 anos, morre o escritor colombiano Gabriel García Márquez

Por Nádia Franco - Agência Brasil, com informações das agências Notimex e Télam

Rodeado de parentes e amigos, morreu na tarde desta quinta-feira (17), na Cidade do México, o escritor colombiano Gabriel García Márquez. Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982, o escritor e jornalista morreu em casa, aos 87 anos.

A notícia foi confirmada pelo Conselho Nacional da Cultura e das Artes, pela rede de televisão venezuelana Telesur e pelo jornal espanhol El País.

Nascido em Aracataca, na Colômbia, no dia 7 de março de 1927, García Márquez, que era também jornalista, vivia atualmente no México. Entre seus livros mais conhecidos, destacam-se Cem Anos de Solidão e O Amor nos Tempos do Cólera.

“Mil anos de solidão e tristeza pela morte do maior colombiano de todos os tempos!", escreveu o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em sua conta pessoal no Twitter. Na mensagem, Santos manifestou solidariedade e prestou condolências à família de García Márquez.

"FUNK" E A BANALIZAÇÃO E IDIOTIZAÇÃO DO ATO DE PROVOCAR

A CANTORA, ATRIZ, DANÇARINA E ATIVISTA JOSEPHINE BAKER (1906-1975) FOI MAIS UMA VÍTIMA DO OPORTUNISMO FUNQUEIRO.

Por Alexandre Figueiredo

A banalização do ato de provocar, que beira à idiotização mais completa, faz com que uma geração de intelectuais brasileiros caia no ridículo com o apoio ao "funk" e a associação tendenciosa deste ritmo a qualquer pretexto apenas por vagas coincidências.

O "funk" sofre daquilo que os teóricos da Comunicação, ao estudarem as questões da Retórica, definem como "falácia da falsa comparação", em que pequenos e inexpressivos aspectos em comum forçam a analogia entre fenômenos que, no fundo, nada têm a ver um com o outro.

Daí a comparação com o samba, por exemplo. O "funk" nada tem a ver com o samba. O samba era artisticamente mais livre, o "funk" é tão limitado que proíbe um MC de tocar um violão, por exemplo. O "funk" é esteticamente rígido, mas tem um senso marqueteiro suficiente para convencer muita gente de parecer ser o contrário disso.

Muitas vítimas foram feitas para as falsas analogias do "funk". De Antônio Conselheiro a Andy Wahrol. E, agora, a mais recente vítima é a atriz, cantora, dançarina Josephine Baker (1906-1975), estrela norte-americana do jazz e do teatro popular que chegou a se radicar na França e a resistir contra a ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Josephine era conhecida por uma sensualidade considerada escandalosa em seu tempo. Naquela época, sobretudo os anos 1920, as pessoas se chocavam até quando jovens mocinhas mostravam seus pezinhos nus, daí o moralismo por demais rígido, que não se compara com as reações que hoje se tem às baixarias de cunho supostamente sexy.

A atriz também foi uma ativista contra a discriminação racial, contra a opressão política e apoiou o ativismo do reverendo Martin Luther King. E, quando chegou ao Brasil para sua primeira turnê no país, em 1929, ela teve um breve romance com o colega de embarcação, o arquiteto suíço-francês Le Corbusier (1887-1965).

Le Corbusier, mais tarde, seria conhecido como o orientador dos trabalhos de construção do edifício do Ministério da Educação e Saúde, no bairro do Castelo, no Rio de Janeiro, cuja concepção teve a participação de vários de seus discípulos, como Afonso Reidy e sobretudo Oscar Niemeyer. Corbusier foi um dos maiores nomes da arquitetura moderna do século XX.

E o que tem a ver o "funk" com isso? Nada. Quer dizer, nada mesmo, a não ser o oportunismo de curadores do Museu de Arte do Rio de Janeiro, que, para lançar uma exposição de fotografias, gravuras e outros registros sobre o encontro entre Josephine e Corbusier - intitulado Josephine Baker e Le Corbusier - Um Amor Transatlântico - foi chamar um grupo de "funk" para a abertura do evento.

O grupo escalado foi as Tequileiras do Funk, armação que se tornou conhecida pelo grotesco sucesso "Surra na Bunda", e que os curadores do evento arrumaram uma desculpa esfarrapada para explicar a escolha, que "incentivaria a mulher a ser dona do corpo".

Disse um dos curadores, o colombiano Carlos Maria Romero: "Em sua época, Josephine subverteu questões ao lidar com o jeito que percebemos gêneros, orientação sexual, classe e especificamente raça. O convite às Tequileiras para o evento de abertura ocorreu porque, no contexto brasileiro atual, vemos um espírito similar na manifestação delas".

Puro sinal de oportunismo e de falácia da falsa comparação. É como, por exemplo, comparar um trote telefônico dado ao Corpo de Bombeiros de uma cidade brasileira a uma tocaia de vietcongues armada contra os soldados norte-americanos, na famosa Guerra de Vietnã.

A banalização da "provocação", a transformação da polêmica em mercadoria e factoide deixa os intelectuais "bacanas" tranquilos. Como no caso do professor Antônio Kubitschek e sua "pensadora Popozuda", os curadores do MAR estão tranquilos, acreditando, até com ingenuidade quixotesca, que provocaram uma revolução sócio-cultural e que o tempo estará a favor deles.

Não, não estará. O "funk", do contrário das manifestações sócio-culturais e comportamentais aos quais o ritmo carioca é comparado, não tem algo a oferecer senão marketing e factoides. Como um pássaro doente e sem asas, o "funk" procura galhos para se apoiar no abismo e dizer para os outros que está voando.

Se você tirar a polêmica, a retórica "socializante", os factoides e toda a choradeira intelectual registrada até em monografias e documentários, além de inserções oportunistas de "funk" numa prova escolar ou numa exposição de arte, nada sobra. Nada. Só o grotesco, as baixarias, a imbecilização cultural, os baixos valores morais, tudo o que há de ruim no "funk".

Inútil fazer mais uma choradeira clamando "contra o preconceito". Perder o preconceito não é aceitar tudo de mão beijada. Quem rejeita o "funk" é bem menos preconceituoso que quem aceita. Os que aceitam só querem saber de historinhas tristes de MCs, de polêmicas "divertidas" e da espetacularização de suas baixarias.

Já os que rejeitam é que melhor percebem o que realmente é o "funk": um monte de baixarias sem qualidade artística expressos nos CDs e nos palcos. E isso tudo fala muito mais de negativo sobre o "funk" do que toda a "choradeira" e "provocação" querem mostrar de supostamente positivo. O tempo não parece muito interessado em salvar o "funk" para a posteridade.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O PAÍS DE POPOZUDAS E SHEHERAZADES


Por Alexandre Figueiredo

Maniqueísmo fácil, esse o do Brasil. De um lado, o "cidadão de bem" que reclama da degradação sócio-cultural, da crise econômica, da corrupção estatal, incitando marchas moralistas para pedir a derrubada do atual governo. De outro, o "povo" que reclama do obscurantismo moralista, do rancor da mídia, da revolta das elites, incitando "rolezinhos" nos centros comerciais para pedir a derrubada da "sociedade organizada".

Vivemos o país de maniqueísmos fáceis, em que há, de um lado, o elitismo obscurantista, e, de outro, o populismo bregalizador. Não há um meio-termo nesse abismo que separa a aristocracia ilustrada e o populacho grotesco, e a própria intelectualidade dominante é, em parte, subproduto dessa visão maniqueísta que disputa, sob diferentes enfoques, o destino futuro de nosso país.

Se, na intelectualidade propriamente dita, temos o maniqueísmo em que, de um lado, ocorre o reacionarismo rancoroso de Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino e Merval Pereira, de outro há o populismo complacente de Pedro Alexandre Sanches, Paulo César Araújo e Hermano Vianna, todos disputando o monopólio da razão sem dar algo de positivo para a sociedade em geral.

Agora o maniqueísmo se dá entre duas supostas "feministas", sendo o reacionarismo representado por Rachel Sheherazade e o populismo por Valesca Popozuda. Rachel é uma Sarah Palin mais cafona, enquanto Valesca Popozuda encarna a versão brega da Lady Gaga.

Rachel quer o obscurantismo da sociedade "indignada" que prega contra a corrupção e a degradação social. Valesca quer a permissividade sócio-cultural que prega contra o moralismo e o preconceito. Parecem diferentes, mas são dois lados de uma só moeda, dois extremos de um mesmo abismo sócio-cultural.

O próprio SBT, o "palanque" das opiniões reacionárias de Rachel - que no entanto está "dispensada" de fazer seus comentários - já havia recebido Valesca Popozuda para participar de um game show, a emissora de Sílvio Santos é um dos cenários de encontro desses pontos de vista "diferentes".

Rachel havia repercutido negativamente por conta de um comentário em defesa da violência policial contra um adolescente pobre que havia cometido assaltos. Depois ela esteve associada à campanha pela organização da Marcha da Família ocorrida há dias em São Paulo.

Valesca é famosa pelos glúteos e peitos siliconados, e veio da corrente mais grotesca do "funk carioca", com seu grupo (vocalista e dançarinos) Gaiola das Popozudas. É associada à erotização grotesca e a um pseudo-ativismo supostamente feminista e tendenciosamente pró-liberdade sexual.

A funqueira tornou-se conhecida por conta de uma questão de prova escolar, numa escola pública de ensino médio em Brasília, que usou uma letra de um de seus sucessos para interpretação de texto. A questão causou repercussão negativa por ter definido Valesca como "grande pensadora contemporânea".

Aparentemente, no combate maniqueísta, Valesca se saiu "melhor" do que Rachel, devido ao pretexto de que aquela "combateu o preconceito" enquanto esta saiu como "defensora da truculência". Mas as duas saíram empatadas num país em crise que depende desse maniqueísmo sem qualquer outra opção em vista.

Isso porque as duas têm que se mexer na sua "liberdade de expressão". Rachel virou uma "leitora de teleprompter", e Valesca agora terá que remover até o silicone dos glúteos e dar uma mexida no seu som, se aproximando ao "funk comportado" da concorrente Anitta.

As pressões sociais de tudo quanto é lado fazem as duas diminuírem seus apetites de causarem polêmicas. Terão que moderar suas posturas, a graciosa Rachel contendo suas raivas reacionárias para não assustar o cidadão comum, a grotesca Valesca tentando melhorar até o porte físico para não constranger a alta sociedade.

Mais uma vez é o maniqueísmo que impera. A "boa" Valesca da "liberdade sexual" contra a "má" Rachel do "preconceito moralista". Ou a "boa" Rachel dos "bons costumes sociais" contra a "má" Valesca dos "desvios populares".

No fundo, ambas são a mesma coisa, cara e coroa de uma mesma moeda. O país até agora não ficou melhor com este e outros surtos maniqueístas, como os "urubólogos" contra intelectuais "bacanas" e as "marchas da família" contra os "rolezinhos". São apenas oposições feitas para desviar a opinião pública de outras questões a respeito dos verdadeiros problemas sociais.

terça-feira, 15 de abril de 2014

ANTÔNIO KUBITSCHEK É QUE NÃO ENTENDEU CONTEXTOS POR TRÁS DO "FUNK"


Por Alexandre Figueiredo

Ainda no episódio da questão escolar sobre a "pensadora" Valesca Popozuda, o professor Antônio Kubitschek, a exemplo da funqueira, tentaram sair "com a consciência tranquila" no episódio, além de usarem a roupagem de um falso ativismo social provocativo.

Da parte do professor de Brasília, as justificativas que ele tentou dar tiveram a pretensão de soarem "definitivas", como provocar a reação dos "urubus da mídia" e "esclarecer" os contextos que estão por trás da questão escolar por ele elaborada supostamente a partir de um debate com seus alunos.

O que o professor Antônio ignora é que os dois pontos de sua justificativa, a provocação midiática e os contextos ocultos na polêmica prova escolar, apresentam sérios equívocos na sua abordagem, o que indica que o que ele cometeu nem de longe significa um acerto.

Primeiro, porque Antônio não expôs os "urubus da mídia" - ou seja, jornalistas de perfil mais reacionário - ao ridículo, como queria fazer crer. Pelo contrário, deu subsídios para que o "privatista" Rodrigo Constantino de repente se autopromova às custas da educação pública, como se um direitista radical pudesse desejar alguma coisa boa para as classes populares.

Segundo, porque Antônio não conhece os contextos que estão por trás do "funk" que ele tanto defende como "ritmo popular". Ele desconhece os vínculos empresariais, políticos e midiáticos que transformaram um ritmo dançante sem muita serventia em um suposto ativismo social.

Ha contextos que estão por trás de toda a blindagem intelectual do "funk". O jabaculê manipula a vontade popular e o inconsciente coletivo, sobretudo das classes populares, sem que muitos saibam ou admitam os interesses que estão por trás. Para eles, se tudo é "popular", vale tudo, até peido na cara.

O "funk" segue a "orientação" de cenários mercadológicos de pop dançante na Itália e do miami bass dos EUA, com um contexto de exploração empresarial, marketing, mentiras, intrigas, subornos e outras coisas. Dizer isso é complicado, para uma intelectualidade bem articulada que acha que as periferias são "paraísos" dotados de casas malfeitas, quase sem asfalto e com muito lixo no chão.

Daí que a própria intelectualidade "bacana", na qual se insere o professor Antônio, ter sido pega desprevenida. Enquanto os intelectuais comemoram o "ativismo social" que reconheceram na questão da "pensadora Popozuda", se achando vitoriosos na "provocativa" atitude, eles fortaleceram ainda mais os Constantino e as Sheherazade da vida que agora passaram a "defender a educação pública" com mais "consistência".

A comemoração da intelectualidade "bacana", que acha que o "funk" trará a revolução social em nosso país, se dá em animados convescotes verbais em sindicatos, auditórios, isolados numa vitória que só eles consideram no combate social contra as forças reacionárias.

Enquanto isso, os intelectuais que saíram em defesa de Valesca e Antônio mal podem imaginar o quanto eles ajudaram para Rachel Sheherazade, Rodrigo Constantino e companhia saírem em defesa da "verdadeira educação", já que as esquerdas médias, na medida em que glorificam o "funk", acabam também permitindo à direita uma suposta defesa de interesses sociais que os direitistas, naturalmente, não teriam a menor vontade de defender.

Os barões da grande mídia agradecem ao professor Antônio por essa ajudinha sensacionalista. Ele continuará dormindo tranquilo, porque acha que suas convicções bastam para o desfecho do caso. Mas é só ver as mídias sociais e outros ambientes midiáticos para ver o quanto os "urubus da mídia" saíram fortalecidos no episódio da "funqueira pensadora".

segunda-feira, 14 de abril de 2014

VALESCA POPOZUDA E O FEMINISMO COMO MERCADORIA

VALESCA POPOZUDA SE ENCONTRA COM GISELE BÜNDCHEN NO SÃO PAULO FASHION WEEK 2014.

Por Alexandre Figueiredo

A "musa do verão 2014", a funqueira Valesca Popozuda, é um dos mais recentes símbolos da chamada "sociedade do espetáculo" estudada e problematizada por teóricos como Guy Debord e Jean Baudrillard, na Europa.

Se lá no exterior a chamada "sociedade do espetáculo" é contestada sem meias palavras, aqui no Brasil a intelectualidade - que já barra o acesso de similares brasileiros de Debord e Baudrillard já nas portas de entrada dos anteprojetos de mestrado - prefere endeusar essa "sociedade", analisando-a de maneira acrítica e meramente descritiva.

Daí que se permitem que surjam nomes como Valesca Popozuda, a pseudo-feminista que, de uma sósia visual de Carla Perez e musical de Tati Quebra-Barraco passou para uma espécie de Lady Gaga mais brega, e que, pasmem, virou o "maior nome da música brasileira" do momento, além de um dos símbolos do "ativismo social" no país.

Acumulando visibilidade às custas de diversos factoides, Valesca apenas mudou levemente sua "orientação". Associada ao "funk" mais grotesco, ela "lapidou" o estilo para se tornar "digestível" para as elites. Enquanto isso, trabalha seu "discurso direto" num arremedo de ativismo social que a faz supostamente "feminista".

Em entrevista à revista Época, Valesca - curiosamente tratada como "senhora" pela reportagem - declarou que "ser vadia é ser livre", usando de todos esses clichês para o "feminismo de resultados", sobretudo a aparente aversão aos homens.

A reportagem, não se sabe se por ironia ou pretensiosismo, comparou Valesca a Simone de Beauvoir, Naomi Wolf e Betty Friedan. Totalmente ridículo. Afinal, Valesca apenas adota aspectos superficiais do feminismo, se autopromovendo às custas de fatos bem conhecidos, como o estupro e a violência doméstica cometidos por homens.

Por outro lado, Valesca tenta trabalhar a ideia de que a prostituição e a erotização são "bandeiras de luta", daí o "feminismo" como mercadoria, a união do suposto "apelo sexual" do grotesco "funk" com os clichês de ativismo que não assustam em um momento sequer os "urubus da mídia". Um "feminismo" que submete a cidadania ao sexo, em vez de integrar o sexo a ideais de cidadania.

Evidentemente, ela agora adota posturas mais politicamente corretas, como admitir que a educação não vem da rua, mas de casa, ou que ela não se considera uma "pensadora", já que a funqueira agora precisa conquistar um público de elite, inclusive a classe acadêmica, daí uma dose de aparente "despretensiosismo".

Sobre a prostituição, ela argumenta que as prostitutas são "guerreiras" e que arrumarem nas boates as "oportunidades" que elas não tiveram nas ruas. Ela defende a regularização profissional, ignorando que a prostituição deveria ser vista como uma atividade transitória, e não permanente.

A defesa da prostituição como "profissão definitiva", a exemplo da defesa das favelas como "moradias permanentes" do povo pobre, é uma forma de glamourizar a pobreza, de transformar condições transitórias, emergenciais e feitas praticamente a contragosto em "trabalho definitivo", como se a prostituta quisesse ser prostituta pelo resto da vida. E a maioria delas não quer.

Completando o pretensiosismo, Valesca agora ataca a MPB, seja no episódio da questão escolar - em que a funqueira foi chamada de "grande pensadora contemporânea" - , seja na questão da temática da mulher-objeto. Aí ela comete o equívoco de achar que toda letra que deseja e exalta uma mulher é letra que a explora como "objeto sexual".

Ora, então um poeta não pode escrever uma letra de Bossa Nova para exaltar a beleza feminina. Mas a funqueira pode escrever uma letra que baixa a lenha nos homens. O lirismo da MPB agora é visto como "mais grotesco" que o "funk" mais rasteiro. Pura desculpa para promover o "funk" às custas de qualquer coisa.

Aqui há uma mania, surgida em torno de 25 anos atrás, de culpar os mestres e todos aqueles que possuem grandes virtudes, de cometerem mais pecados e erros do que a gente mais rasteira. Daí, por exemplo, que nomes como Chico Buarque são duramente atacados, enquanto um espertalhão como Michael Sullivan "compra" toda a MPB e ninguém se dá conta disso.

Isso porque o Brasil é o país que fica complacente com a mediocridade. Confunde medíocres com aprendizes e a cada ano o grotesco, o piegas e o cafona mostram exemplos que a sociedade logo se acostuma com muita conformação.

Daí o pseudo-ativismo de Valesca Popozuda, que no fundo nada acrescenta de diferencial, por exemplo, à antiga visibilidade de uma Xuxa Meneghel, por exemplo. Um "feminismo de resultados", para desviar a atenção da sociedade para temas realmente feministas. Um "feminismo" como mercadoria, para fazer de conta que existe "ativismo" no mundinho da "cultura midiática".

Aqui a "sociedade do espetáculo" não é vista como problema, chegando a ser encarada, com muita ingenuidade, como uma "solução". Mas este é o país em que a "cultura popular" é movida pelo império do jabaculê, patrocinado até mesmo pelo latifúndio mais sanguinário. Mas como tudo é aparentemente "popular", ninguém questiona.

Que falta fazem Guy Debord e Jean Baudrillard por aqui...

domingo, 13 de abril de 2014

"FUNK" USA FACTOIDE PARA TENTAR SE DESVINCULAR DOS BARÕES DA MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

Depois que MC Guimê, o astro do "funk ostentação", virou capa da reacionária revista Veja, a intelectualidade "bacaninha" que aposta na bregalização do país ficou confusa. No primeiro momento, veio o susto, no segundo uma certa conformação e, depois, uma tentativa de sair da situação e promover mais "choradeira" para seduzir ativistas de esquerda.

Quando os funqueiros pareciam viver a lua-de-mel merecida e recíproca com os barões da grande mídia, eis que um factoide veio tentar devolver toda aquela campanha "ativista" que promovia os funqueiros.

O professor Antônio Kubitschek (sem parentesco com o saudoso Juscelino) criou uma questão de prova em que não só era citada uma letra de um sucesso de Valesca Popozuda como havia classificado a intérprete funqueira de "grande pensadora contemporânea".

A "provocativa" questão causou uma reação de indignação da sociedade, mas deixou professor e funqueira tranquilos, embora "mais ponderados". Antônio declarou que a questão teve como objetivo "provocar discussão" e a funqueira, "realista", disse que "não estava preparada para ser pensadora".

Outro dos propósitos era de forjar uma nova polêmica ao desgastado "funk" que já estava integrado ao establishment midiático-mercadológico. Era preciso criar uma situação "desagradável" para reativar e renovar todo aquele discurso pseudo-ativista que tanto promoveu o gênero.

Imagine, os funqueiros indo a todos os espaços em que se encontram "urubólogos", socialites moralistas, humoristas conservadores e atrizes que revelam "sentir muito medo", ou de jornalistas femininas que exaltam ações de justiceiros e querem novas "marchas das famílias" nas ruas?

No fundo isso não traz contraste algum, não causa a menor estranheza, mas tira da intelectualidade associada a capacidade de fazer do "funk" um suposto ativismo social, naquela mania pequeno-burguesa de dizer: "façamos a revolução, antes que o povo a faça".

Mas o "funk" não é "povo"? Não, exatamente. O "funk" é um ritmo dançante comercial, e seu discurso pseudo-ativista esconde o contexto que está por trás, que é de uma imagem publicitária de "movimento cultural" tramada pelos próprios empresários do gênero.

O "funk" não é um movimento ativista de verdade, ele apenas se cerca de um discurso publicitário, bastante tendencioso e contraditório, que conta com uma pesada blindagem intelectual, e a diferença é que esse discurso, que parecia gasto, tenta agora se renovar através de uma abordagem mais "sensata".

"RODRIGO CONSTANTINO DO BEM"

Ando pesquisando muito a grande mídia e outras abordagens, e se existe a "sensatez" de Antônio Kubitschek e Valesca Popozuda, há também a "sensatez" de Rodrigo Constantino e Yoani Sanchez. Todos paladinos da "cidadania mais transparente".

Antônio Kubitschek saiu-se como um "Rodrigo Constantino do bem", prometendo "discutir problemas" e "melhorar o país". Tudo bem, estamos numa democracia e existem diferentes modelos de "sensatez", mas o problema é que esses dois exemplos pecam por um certo moralismo, da parte de Rodrigo, ou de um certo sensacionalismo, por parte de Antônio.

O próprio uso do "funk" como medida de todas as coisas relacionadas às classes populares bota em xeque essa sensatez. Antigamente, as classes populares eram capazes de produzir até coisas similares ao Clube da Esquina, delicioso movimento musical melódico que hoje ficou negativamente marcado como "MPBzinha de burguês alienado".

Hoje nem as classes mais abastadas conseguem produzir uma cultura musical de qualidade. Num contexto em que as pessoas passaram a endeusar o "Rei do Jabá", Michael Sullivan, como se fosse o "gênio perdido da MPB", o "funk" reaparece como sinônimo de "sensatez" mesmo com todas as baixarias que produziu e estimulou.

Atualmente até mesmo os funqueiros de "discurso mais direto" estão sendo domesticados. As "musas" funqueiras estão pensando em aposentar os silicones, adotar um corpo mais clean, uma retórica "menos violenta" e tudo o mais, num processo esquizofrênico que não sabe bem se continua se dizendo fiel às "raízes populares" ou se quer "conquistar as elites".

O discurso fica mais confuso ainda. O "funk" quer ingressar na grande mídia, mas luta para se desvincular a ela. A grande mídia foi sua incubadora, foi sua proveta, mas o "funk" passou anos e anos dizendo ter sofrido uma discriminação midiática que nunca existiu. Pois se até a Veja, que condena tudo que é movimento social, adota os funqueiros, essa discriminação é mais mentirosa ainda.

Outros aspectos que também questionam a "sensatez" do caso da "pensadora Popozuda" é que essa suposta coerência de pensamento esbarra em contextos ignorados pelo professor Antônio Kubitschek, que na ocasião de sua prova tentou desfazer os mitos de que o "funk" fazia apologia à ignorância.

PROFESSOR ANTÔNIO KUBITSCHEK É QUE CAIU COMO "PATINHO"

Só que o professor Antônio quis fazer marketing, e não um debate antropológico como ele tenta nos fazer crer. Ele poderia ter evitado a questão, mas a jogou para se autopromover e também jogar a intelectualidade contra os "totens sagrados da MPB".

Se Rodrigo Constantino peca, no seu "humanismo", por achar que o povo pobre será assistido pelo Grande Capital, que a privatização de tudo trará uma sociedade melhor, Antônio Kubitschek, no seu "humanismo", acha que essa "cultura popular" que está aí, mercadológica e midiatizada, garantirá a evolução sócio-cultural do povo pobre.

São duas visões? Ou são dois lados de uma mesma moeda? A Veja que acolhe MC Guimê e Valesca Popozuda é a que tem Rodrigo Constantino em sua equipe. O "funk" nada tem de progressista, nem mesmo para denunciar problemas educacionais. É apenas a mesma conversa de "vítima de preconceito" que agora ganha um tom mais "ponderado", mas mesmo assim nada verídico.

Enquanto isso, a ditadura midiática se diverte. Se o professor Antônio fez a questão para "mostrar de que tipo de carniça se alimentam os urubus da mídia", os tais "urubus" agradecem o feito. Antônio é que caiu feito "patinho" na carniça armada pelos "urubus da mídia". Estes é que arrumam seu discurso moralista para se passarem por "salvadores da humanidade".

Pois enquanto o professor Antônio fica feliz da vida com sua atitude "provocativa" e acha que deixou os "urubólogos" desnorteados, na verdade ele ofereceu os subsídios para que oportunistas como Rodrigo Constantino tentem dar um banho de suposta coerência sociológica ou que outros como o roqueiro neocon Lobão forjem uma rebeldia que no fundo soa obscurantista e retrógrada.

Aí fica o maniqueísmo discursivo. De um lado, os defensores do "funk" se dizendo amigos do povo pobre e querendo que a pobreza fique como está, só com mais investimentos financeiros sem representar qualquer mudança de qualidade na vida. Miséria patrocinada e sustentável.

De outro, os detratores do "funk" se dizendo amigos do cidadão e querendo que o povo pobre tenha qualidade de vida sem ter dinheiro suficiente para tal, buscando conforto e até melhorias culturais, mas sem representar qualquer mudança nas condições financeiras. Qualidade de vida endividada e falida.

Enquanto ocorre esse "duelo" discursivo entre duas forças não muito diferentes entre si, o povo pobre sofre seus problemas rotineiros, sem ter onde morarem e, quando têm, ainda correm o risco de perder tudo em ocasiões de tempestades. O povo pobre sofre e, uma coisa é certa: não são a APAFUNK nem o Instituto Millenium ou seus associados que irão resolver isso.

sábado, 12 de abril de 2014

"FUNK" E A "CHORADEIRA" SOBRE EDUCAÇÃO E CULTURA


Por Alexandre Figueiredo

Depois do choque causado ao ver MC Guimê, queridinho das "esquerdas médias", virar capa da reacionária revista Veja, e após o último consolo de ver o jornalista da publicação, Sérgio Martins, se tornar o único consolo diante das reações indignadas das esquerdas "radicais", a intelectualidade "bacana" ainda aposta na "choradeira" do "funk" a partir de factoides desesperados.

Parece que foi de propósito. O professor de uma escola pública de Brasília, Antônio Kubitschek, ao elaborar um questionário a respeito de "problemas sociais" vividos no Brasil, colocou uma questão relacionada a uma música da funqueira Valesca Popozuda. Até aí, virou rotina. O que chamou a atenção foi a classificação da funqueira como "grande pensadora contemporânea".

Aí isso provocou uma reação furiosa da sociedade, que clamou sobre a imbecilização do ensino público, da cultura popular, e os chamados "urubólogos" pegaram carona e declararam a "morte" da educação pública e outros aspectos.

E aí veio a reação "tranquila" de Antônio Kubitschek em relação ao ocorrido, depois de uma reação, meio politicamente correta, meio lisonjeada, da própria funqueira, que primeiro definiu a atitude como "uma bobagem", disse que "não estava pronta para ser pensadora" mas depois se "sentiu honrada" e prometeu ler Machado de Assis para, "quem, sabe, ser uma pensadora de elite".

Antônio - que não tem qualquer parentesco com o famoso ex-presidente que ordenou a construção de Brasília - disse que o propósito é "mostrar que tipo de carniça se alimentam os urubus da mídia". Então tá.

Por sua vez, Valesca tentou minimizar a gravidade da situação: "E se o professor colocou a questão dentro do contexto da matéria? E se o professor quis ser irônico com o sucesso das músicas de hoje em dia? E se o professor quis apenas distrair a turma e fez a questão apenas pra brincar?", como se a funqueira achasse permissível que se brincasse e fizesse ironias em provas acadêmicas.

De repente, Antônio e Valesca saíram "triunfantes". Acham que fizeram uma "revolução social", ele causando uma "provocação" aos preconceitos acadêmicos e midiáticos, ela virando pivô de uma "polêmica violenta" sobre um ritmo supostamente popular. E mais uma vez entra a glamourização da ignorância, agora jogada para um outro contexto.

Afinal, o brega-popularesco, no qual Valesca Popozuda se insere, agora passa por uma fase de suposto "aprimoramento". É Alexandre Pires se passando por "sofisticado" nos palcos do Faustão. É Odair José posando de "clássico" nos palcos das "viradas". Ou então um Leandro Lehart prometendo fazer em 25 anos de carreira o que o saudoso Monsueto já fazia logo no começo.

INTELECTUAIS PRÓ-FUNQUEIROS É QUE NÃO ENTENDEM CONTEXTOS

Agora a glamourização da breguice evoca esse "aperfeiçoamento". "Vejam como nossos ídolos populares (sic) são tão informados", dizem os intelectuais apologistas, confundindo vocação artística com amplo consumo de informações na mídia (do rádio à Internet). E vemos o quanto a intelectualidade quer nos fazer crer que o pop de matizes brega será a cultura brasileira do futuro.

Chega a ser ridículo. A nossa intelligentzia, agora feliz com mais um factoide em prol do "funk", que mostrou a "sensatez" da funqueira e a "ousadia" do professor, quer agora ser a paladina da moral e da cidadania e, "vitoriosos", agora julgam que a "voz da razão" está no "funk" e que só o "funk" - ou "não só ele", mas o "pagode romântico", o tecnobrega, o "brega de raiz" etc - salvarão o Brasil.

Antônio Kubitschek ainda acusou os críticos do "funk" de adotarem a "inteligência egocêntrica" descrita no estágio intuitivo das crianças estudadas pelo pedagogo Jean Piaget. Se for apenas de gente que sonha com um Brasil mais europeizado, como Rodrigo Constantino e Reinaldo Azevedo, tudo bem. Mas engana-se que os defensores do "funk" estejam livres de qualquer etnocentrismo.

Eles mesmos não pensam a "cultura popular" que defendem conforme outros contextos. Se é "popular", para eles, tudo bem, pouco importando se fazendeiros que matam agricultores e até freiras patrocinem conjuntos de "forró eletrônico". Eles mesmos desconhecem os problemas do "outro", para eles a pobreza é apenas um "paraíso" dotado de construções improvisadas e ruas sem asfalto.

O verdadeiro contexto que está por trás dessa "cultura popular" - que agora os intelectuais querem "consertar" de forma paternalista, ensinando "boa cultura" para os bregas e seus derivados trabalharem em momentos tardios de suas carreiras - envolve coisas que a intelectualidade dominante se recusa a entender ou simplesmente despreza.

Essa "cultura popular" envolve contextos de manipulação midiática, descaso educacional, opressão econômica, alienação política (que, se não é total, impede uma reflexão mais ampla e coerente dos fatos), exploração empresarial, que transformam o povo pobre numa classe problematizada em todos os aspectos, até culturalmente.

Mas aí o intelectual ignora isso. Prefere ele glamourizar a pobreza através dos chamados "produtos culturais", pouco importando o contraste discursivo que faz entre comunidades pobres que sofrem enchentes, deslizamentos de terras, ações de violência, e aquela "pobreza feliz" que dança o "funk", o tecnobrega e coisa e tal em casas noturnas suburbanas de donos já bastante ricos.

Agora a intelectualidade não consegue explicar o que realmente quer. Será que quer ver um povo pobre mais esclarecido? O povo pobre precisa ler livros ou já lhes basta ouvir o "funk"? Ou se os ritmos mais grotescos ficarão "melhores" com injeção de dinheiro do Ministério da Cultura ou um programa trainée que transforma o bregalhão de hoje num suposto "gênio da MPB" de depois de amanhã?

Portanto, tentaram reagir "serenamente" às rejeições da sociedade ao "funk". Tentam dizer que a questão do professor Antônio foi feita "de acordo com contextos problemáticos". Tudo para tentar passar a "boa imagem" do "funk", porque para eles, o "funk" é que é "inteligente", "sensato" e "ponderado". Quem o critica é que, além de "preconceituoso", possui "inteligência egocêntrica".

Até Valesca agora pensa em remover o silicone de seus glúteos, tenta se "endireitar". É o morde-e-sopra que o brega-popularesco tenta fazer para mostrar que é "cultura séria". Mas tudo isso é tendencioso, num país que agora sonha com Michael Sullivan como "gênio maior da MPB", com a intelectualidade "bacaninha" jogando mais cal no túmulo do mestre Tom Jobim.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

SÉRGIO MARTINS, DA VEJA, TOMA AS DORES DA INTELECTUALIDADE "BACANA"


Por Alexandre Figueiredo

Comentários entusiasmados a Odair José. Lembranças de Waldick Soriano. Elogios ao "funk carioca" e todo o cartaz ao "funk ostentação". Tratamento vip ao tecnobrega. Uma animada e carinhosa abordagem ao arrocha. Saudades de Wando e reverências aos "sertanejos" Zezé di Camargo & Luciano. E até mixagem de DJ tentando reabilitar o É O Tchan juntando-o a samples de Smiths.

Tempos atrás, as esquerdas médias - que reuniam esquerdistas de pensamento questionador frágil e pseudo-esquerdistas vindos dos porões uspianos do PSDB - é que tentavam investir nessas abordagens, o que não vingou, porque num dado momento o comercialismo explícito de seus ídolos batia de frente com os problemas vividos pela realidade concreta das classes populares.

Mas hoje, pelo jeito, o discurso de que os brega-popularescos que dominam rádios FM e TVs abertas eram "discriminados pela grande mídia" não convenceu. Foi deixado de lado e o brega-popularesco, sem poder se vender como "movimento libertário", agora tem que reassumir o então descartado vínculo com a grande mídia conservadora.

Aí entra a Veja e seu mais recente porta-voz dos bregas, o experiente Sérgio Martins, remanescente do jornalismo musical da Abril. Ele é um dos poucos que fizeram a revista Bizz nos anos 80 que permanecem na editora, depois que outros profissionais assumiram outras atividades, da antiga MTV à Rede Globo, passando pelo Multishow, Folha de São Paulo, TV Cultura etc.

Sérgio é o farofafeiro que faz sentido. Um pouco menos neurótico e mais profissional, sem manias de rascunhar "manifestos antropofágicos" a partir de delirantes defesas do brega. Sérgio sai em defesa entusiasmada do brega, só que "com categoria". E, com seu profissionalismo, o jornalista cultural de Veja toma as dores da intelectualidade "bacana" que quer a bregalização do país.

Sérgio faz na Veja o que Pedro Alexandre Sanches tentou fazer na Carta Capital, Fórum e Caros Amigos. Paciência. Como defender ídolos que fazem sucesso até na Rede Globo para publicações que justamente contestam o poderio das Organizações Globo?

"SORVETEIRO" DA VEJA

O brega-popularesco nunca ameaçou os barões da grande mídia. Nem mesmo alguns ativistas sociais simpáticos tentaram convencer o contrário, caindo em contradições e lamentos chorosos. Desde a ditadura militar, bregas e derivados sempre tiveram o apoio sobretudo de emissoras de rádio controladas por oligarquias coronelistas e políticos conservadores.

Mesmo o aparentemente polêmico "funk" sempre contou com a ajuda das Organizações Globo desde o começo, já a partir da rádio 98 FM (atual Beat 98), que sempre apoiou o gênero. E mesmo o discurso "ativista" que envolve os funqueiros hoje foi na verdade uma retórica armada dentro das Organizações Globo e da Folha de São Paulo, nada tendo a ver com ativismo progressista.

Sérgio Martins, que agora faz propaganda dos bregas, pode ser considerado o "sorveteiro" de Veja, na medida em que dá um refresco aos leitores numa revista marcada pelo reacionarismo de articulistas como Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Rodrigo Constantino e até mesmo o roqueiro Lobão.

Só que isso não significa que o mundo do brega seja antagônico ao "paraíso" do neoliberalismo proclamado pela "nata" da revista. Até porque isso tem uma exata analogia com o que acontece nos Estados Unidos da América, a pátria maior do neoliberalismo.

Se lá existe o "pesadelo" das guerras no Oriente Médio, da proteção ao país-cliente Israel, e das intervenções aqui e ali no mundo pela CIA, lá existe o "sonho" do cinemão de Hollywood, do hit-parade pop, da Disneylândia.

Nesse âmbito ideológico, tem-se ainda a McDonald's e a Coca-Cola, que só por adotar a cor vermelha na sua concepção estética, não viraram socialistas. Como também os sorrisos de Mickey, Pateta, Minnie e Pato Donald não representariam o contraponto "progressista" às operações militares dos EUA em alguma parte do mundo.

Não serão, portanto, os bregas do passado ou os funqueiros, axézeiros, breganejos, sambregas e arrocheiros de hoje o contraponto das histerias neoliberais dos articulistas de Veja. Isso porque a bregalização cultural se construiu sob uma perspectiva rigorosamente mercantilista, comercial e tendenciosa, não sendo um discurso pseudo-ativista que irá renegar tudo isso.

Portanto, a intelectualidade "bacana" deverá relaxar. Que eles esqueçam os puxa-saquismos a ícones esquerdistas, dancem o "Lepo Lepo" e o "Beijinho no Ombro" abraçados aos barões da grande mídia, e parem de fingir que se opõem ao direitismo midiático, até porque foi por causa deste que o brega cresceu de forma vertiginosa no país. É a lei do mercado, estúpido!!

quinta-feira, 10 de abril de 2014

CPI AMPLA FOI APROVADA POR COMISSÃO


Por Alexandre Figueiredo

A oposição queria uma CPI exclusiva para investigar o esquema de corrupção da Petrobras, mas tem que aguentar uma CPI ampla, decidida pelos governistas, para investigar não só a instituição, mas também a corrupção no sistema de Metrô de São Paulo e no Porto de Suape e na refinaria de Abreu e Lima, estes dois em Pernambuco.

A medida, aprovada por votação realizada ontem à noite, e criou um clima de rivalidade partidária entre governistas e os oposicionistas, sejam eles ligados à Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, e seu rival pelo PSB, o ex-governador pernambucano Eduardo Campos.

A Comissão de Constituição de Justiça da Câmara dos Deputados aprovou a decisão, que depois foi encaminhada para o Senado Federal, para votação. Com a decisão, haverá uma comissão diversificada para investigar escândalos envolvendo diferentes partidos.

A votação dependeu da avaliação de um mandado de segurança da oposição, apreciado pela ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber. O mandado questionava a inclusão de outros temas para a CPI, julgando que deveria apenas haver a comissão dedicada a investigar a corrupção na Petrobras.

A corrupção da Petrobras envolve irregularidades na execução de negócios, inclusive no exterior, como em uma refinaria em Pasadena, no Texas (EUA). A corrupção do Metrô paulistano se deve à formação de cartel e às alianças políticas com o PSDB. Já no caso das obras pernambucanas, a CPI pretende investigar irregularidades na licitação e nos trabalhos de construção.

Fora esses episódios, a política brasileira ainda sofre mais um escândalo de corrupção, como os negócios financeiros envolvendo o deputado federal André Vargas e o doleiro Alberto Youssef, que teriam desviado dinheiro público para favorecer a empresa deste.

O PT já começa a avaliar a possibilidade de expulsar André do partido. Ele renunciou ao cargo de vice-presidente da Câmara Federal.
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